Nossos filhos têm que aprender a advogar em causa própria para crescer

Nossos filhos têm que aprender a advogar em causa própria para crescer

Meu filho de 12 anos precisava ter feito uma “apostila de férias” de matemática e não terminou. O prazo para entregar o material acaba na próxima semana. Paralelo a isso, ele está tendo dificuldades nas aulas desta mesma matemática e resolvemos arranjar uma professora particular para dar uma ajuda, inclusive na tal apostila. 

O material não é impossível de ser concluído mas vai dar trabalho. A própria professora particular sugeriu que fosse pedido ao professor mais prazo. E eu disse a ela que eu poderia mandar um email para ele pedindo isto. 

Mas ela imediatamente falou algo que eu mesma não tinha me tocado: “Quem tem que resolver esta questão é o próprio Felipe. Ele tem que advogar em causa própria, negociando um prazo, explicando suas razões”. A minha ficha caiu naquele exato momento: óbvio, meu filho precisa crescer e para isso precisa aprender a se virar.

Este meu exemplo com esta solução pode ser claro para um monte de pais: vai lá e tente por você! Mas para pais helicópteros, como é o meu caso e o do meu marido, muitas vezes é difícil enxergar: que não devemos fazer sempre tudo para eles, mas mostrar como fazer e deixá-los tentar por conta própria. 

Pais preocupados demais sempre estão achando que os filhos não dão conta, que ainda é cedo para isso ou aquilo, que “tadinho” ainda precisa muito de mim. E isto não ajuda. Eu sou muito assim, mas sei que agindo dessa maneira eu não colaboro nem para a auto confiança dele, nem para o aprendizado dele poder errar e consertar os próprios erros.

A Camila, por exemplo, tem um trato com os filhos de que eles sempre devem colocar o lanche na mochila para levar de casa. O almoço a escola já oferece.  Mas eles já esqueceram algumas vezes o lanchinho e ela foi levar no colégio. Ela decidiu não levar mais. Ela considerou que os filhos precisam encarar as consequências para que eles sejam mais responsáveis com o combinado. Já aconteceu deles esquecerem. Mas agora, até ajudar a preparar o lanche eles ajudam!

Sobre isso eu fui conversar com a terapeuta familiar e de crianças, Sally Neuberger, que já apareceu aqui no blog numa super dica de como acabar com o chilique dos filhos. Sally considerou a orientação da professora particular super acertiva. Afinal de contas, quantas vezes a gente atropela o que um filho deveria fazer sozinho? 

Como a Sally disse pra mim, precisamos criar filhos independentes e resilientes que se tornem adultos confiantes. Por isso, para aprender a habilidade de se defender em causa própria, ou seja, de advogar alguma coisa, é preciso começar em casa, para que depois eles possam praticar diante do mundo. “Isso inclui ser capaz de tolerar as conseqüências de não advogar com sucesso e decidir como fazer melhor da próxima vez”, completa Sally. 

Pra completar a história: Felipe foi conversar com o professor. Ele me contou que usou de todos os argumentos possíveis. Mas o professor não esticou o prazo. Considerou que ele teve muito tempo pra fazer e ainda teria alguns dias até a data final. É claro que ele ficou chateado. Perdeu no pedido mas ganhou na tomada de responsabilidade. Pergunta quem está agora, sentadinho, fazendo o que falta pra entregar ao professor? 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 12 anos, e de Alice, de 6 anos. Eles moram em Washington-DC. Apesar de ter jurado nunca mais ver matemática na vida quando foi fazer Jornalismo, ela se esqueceu de que um dia seria mäe e tem ajudado a tirar dúvidas do filho.

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