Como criar uma filha feminista? Chimamanda Adichie tem 15 sugestões

Como criar uma filha feminista? Chimamanda Adichie tem 15 sugestões

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Acabei de ler o livro “Para educar crianças feministas, um manifesto” de Chimamanda Adichie (Companhia das Letras).  Além de autora best-seller, Adchie é uma das principais vozes feministas no mundo atualmente. 

Gente, eu preciso ser sincera com vocês - correndo o risco de ser massacrada on line - eu sempre achei esse papo de feminismo muito chato. Acho que sempre associe o termo de maneira desfavorável: uma mulher chata, masculinizada reclamando da vida, e nunca pensei muito sobre o que está detrás dessa bandeira nos dias de hoje. Mas é impressionante como com um olhar mais atento é fácil ver que os papéis de gênero estão tão internalizados na gente que nós nem percebemos um monte de absurdos que nos submetemos por sermos mulheres. 

Esse livrinho, que dá para ler em duas tardes (hahaha - duas tardes - quem aqui tem duas tardes livres para ler um livro?) me emocionou. Eu nunca tinha percebido o quanto minha criação - e de 99% das minhas amigas - foi machista. 

O livro é uma carta da autora respondendo a pergunta de uma amiga de infância que acabara de dar a luz a uma menina: Como educar minha filha feminista? Adchie elabora 15 sugestões. 

Destaquei alguns trechos maravilhosos para vocês verem como as ideias dela são bacanas. Mas recomendo todo mundo a ir além desse post e ler o livro (deveria ser obrigatório para mulheres grávidas).

Aqui vão alguns destaques:

“Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. Vai ser bom para sua filha.”

“Nas próximas semanas desse início de maternidade, seja bom com você mesa. Peça ajuda. Espera ajuda. Isso de supermulher não existe. Criar os filhos é questão de prática - e de amor. 

“Nossa cultura enaltece a ideia das mulheres capazes de “dar conta de tudo”, mas não questiona a premissa desde enaltecimento…. O que devemos perguntar não é se uma mulher consegue dar conta de tudo, e sim qual é a melhor maneira de apoiar um casal em suas duplas obrigações no emprego e no lar.”

“Dividam igualmente a criação (dos filhos). Não precisa ser uma divisão literalmente meio a meio, ou um dia você, um dia ele, mas você vai saber se estão dividindo igualmente. Vai saber por não ser sentir ressentida. Porque quando há igualdade não existe ressentimento”

“Se não colocarmos a camisa de força do gênero nas crianças pequenas, daremos a elas espaço para alcançar todo seu potencial. Veja sua filha como um indíviduo. Não como uma menina que deve ser de tal ou tal jeito. Veja seus pontos fortes e fracos de maneira individual.  Não a meça pelo o que uma menina deve ser. Meça-a pela melhor versão de si mesma."

"Ensine sua filha a não se preocupar em agradar… Temos um mundo cheio de mulheres que não conseguem respirar livremente porque estão condicionadas demais a assumir formas que agradem os outros. Então, em vez de ensinar sua filha a ser agradável, ensine-a ser honesta. E bondosa. E corajosa. Incentive-a a expor suas opiniões, a dizer o que ela realmente sente, a falar com sinceridade."

“Mostre-lhe que não precisa de quer todo mundo goste dela. Diga-he que, se alguém não gosta dela, outro gostará. Ensine-lhe que ela não é apenas um objeto de que gostam ou desgostam, ela também é um sujeito que pode gostar ou desgostar. Durante a adolescência, se ela chegar em casa chorando porque alguns meninos não gostam dela, mostre-lhe que ela pode escolher não gostar deles - sim, é difícil … mas eu gostaria que alguém tivesse me dito isso.”

“Sua filha desde cedo notará - porque as crianças são muito perspicazes - qual é o tipo de beleza que se valoriza. … Faça a perceber que mulheres brancas e magras são bonitas e que mulheres não brancas e não magras são bonitas. Faça a perceber que para muitas pessoas e culturas, a definição limitada de beleza não é bonita. É você quem mais conhece sua filha, e assim é você quem sabe melhor como afirmar o tipo de beleza dela, como protegê-la para que não se sinta mal diante do espelho.”

“Cerque-a de muitas tias, mulheres com qualidades que você gostaria que ela admirasse. Diga o quanto você as admira. As crianças copiam e aprendem pelo exemplo." 

“Diga-lhe que o sexo pode ser uma coisa linda, e que, além de consequências físicas (por ser mulher!) pode ter também consequências emocionais. Diga-lhe que o corpo dela pertence a ela e somente a ela, e que nunca deve sentir a necessidade de dizer “sim” a algo que na quer ou algo que se sente pressionada afazer. 

“Ensine a ela que amar não é só dar, mas também pegar. … Ensine-lhe que, para amar, ela precisa se entregar emocionalmente, mas que também deve esperar receber." 

Camila Furtado mora na Alemanha, e é mãe da Maria de 8 anos e do Gael de 6. Ela espera que eles se tornem pessoas muito mais evoluídas que ela,  e para isso está tentando se tornar agora mesmo uma versão melhor de si mesma.

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