Como criar meninas corajosas

Como criar meninas corajosas

O TED da escritora e aventureira Caroline Paul já teve quase dois milhões de acessos. A gente achou muito interessante e pertinente tudo o que ela diz e por isso, resolvemos transcrever aqui um trecho da sua palestra.


“Por que não se espera que mulheres sejam corajosas? Tive a resposta para isso quando um amigo se lamentou comigo que sua filha era muito medrosa, e então comecei a perceber que a filha dele estava com medo, mas mais do que isso, os pais estavam com medo. Quando ela saía, o que mais ouvia deles começava com: "Tenha cuidado", "Preste atenção" ou "Não". 

Meus amigos não eram pais ruins, estavam apenas fazendo o que a maioria faz, alertando a filha muito mais do que fariam com um filho. Houve um estudo sobre o escorregador do playground. Pesquisadores descobriram que, na infância, era bem provável uma menina ser advertida pelos pais sobre o risco do brinquedo, e, se ainda assim ela quisesse brincar nele, provavelmente um dos pais a ajudaria. Mas, e os meninos? Eles eram encorajados a brincar lá, apesar de toda a insegurança que pudessem ter. E, muitas vezes, os pais orientavam sobre como subir por conta própria. 

Então, qual mensagem isso passa para as crianças? Que as meninas são frágeis e necessitam mais de ajuda, e os meninos podem e devem realizar tarefas difíceis sozinhos. Ela afirma que as meninas devem ter medo, e os meninos devem ser corajosos. Mas a ironia é que, na infância, meninas e meninos são muito parecidos fisicamente. Geralmente, as meninas são mais fortes até chegarem à puberdade, e mais maduras. 

No entanto, os adultos agem como se elas fossem mais frágeis, necessitassem mais de ajuda e não pudessem lidar com tudo. Essa é a mensagem que absorvemos na infância, é a mensagem que fica à medida que crescemos. As mulheres acreditam nisso e os homens também, e adivinha? Quando nos tornamos pais, passamos essa mensagem aos filhos, e por aí vai. 

É por isso que, geralmente, as mulheres vivem com medo. Sei que alguns não vão acreditar em mim quando eu disser isto, mas não tenho nada contra o medo, sei que é uma emoção importante e que está lá para nos manter seguros. Mas o problema é quando o medo é a reação primária que ensinamos e encorajamos as meninas a ter sempre que forem enfrentar algo fora da zona de conforto delas. 

Além de bombeira, fui pilota de parapente por muitos anos. A asa do parapente se parece com um paraquedas e ele voa muito bem, mas, para muitas pessoas, percebo que ele parece um lençol com amarras. Passei muito tempo no topo de montanhas inflando este lençol, correndo e saltando. Eu sabia que era uma boa pilota e que as condições eram boas, ou eu não estaria lá. Então, sim, o medo estava lá, mas eu quis aproveitar e olhar bem para ele, avaliar o quanto ele era relevante e depois colocá-lo onde ele pertencia, que era, na maioria das vezes, abaixo da minha euforia, minha expectativa e minha confiança. Então, eu não sou contra o medo, só sou a favor da coragem. 

Não estou dizendo que suas filhas devem ser bombeiras ou voar de parapentes, mas estamos criando as meninas para serem tímidas, até mesmo impotentes. E isso começa quando as alertamos sobre riscos físicos. O que aprendemos a temer e as experiências que não temos ficam conosco enquanto nos tornamos mulheres e se transformam naquilo que enfrentamos e tentamos esquecer: nossa hesitação ao nos expressar, nossa submissão para sermos apreciadas e nossa falta de confiança em nossas próprias decisões. 

Então, como nos tornamos corajosas? Bem, aqui está a boa notícia: podemos aprender a ter coragem, e assim como qualquer coisa que aprendemos, só precisamos praticar. Então, primeiro, temos que respirar fundo e incentivar as meninas a andar de skate, subir em árvores e brincar no escorrega do playground. Foi isso que minha mãe fez. Ela não sabia, mas os pesquisadores têm um nome para isso, eles chamam de "percepção de risco", e estudos mostram que certo risco ao brincar é muito importante para todas as crianças, porque ensina a avaliar o perigo, a adiar a gratificação, a ter resiliência e confiança. 

Em outras palavras, quando as crianças saem e praticam a coragem, elas aprendem lições valiosas sobre a vida. Em segundo lugar, temos que parar de alertar as meninas à toa. Então, na próxima vez que disserem "Cuidado, você vai se machucar!" ou "Não faça isso, é perigoso!", lembrem-se de que, muitas vezes, o que estão realmente dizendo a elas é que elas não devem se esforçar, que não são boas o suficiente, que devem ter medo. 

Em terceiro lugar, as mulheres precisam começar a praticar a coragem também. Só podemos ensinar às meninas o que nós mesmas praticamos. E mais uma coisa, medo e euforia causam reações muito parecidas: mãos trêmulas, frequência cardíaca aumentada e tensão nervosa. Eu aposto que na última vez que muitas de vocês pensaram estar morrendo de medo, na verdade pode ter sido euforia, e vocês perderam uma oportunidade. Então, pratiquem.”

Quem quiser ouvir a fala dela completa é só clicar aqui.

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