A "foto da barriga" da filha adotada: uma história comovente

A "foto da barriga" da filha adotada: uma história comovente

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Bárbara chegou em casa com o dever de casa: era preciso fazer um mini-álbum com fotos da mamãe grávida, do momento do nascimento, dela bebezinha… Mas Bárbara foi adotada por Junya Sant Anna, quando ela tinha 4 meses de vida. “A professora quer o álbum, mamãe. Como a gente vai fazer?”. O que poderia ser sinônimo de transtorno, frustração ou até vergonha, se tornou motivo de orgulho, satisfação e prova de amor. 

Bastam 5 minutos de conversa com a microempresária Junya, a mãe adotiva da Bárbara, pra gente entender quem é essa mãe que decidiu que ia levar a vida de forma leve e bem humorada. “Eu passei a semana pensando em como resolver aquele dever de casa. A minha solução foi ser verdadeira como eu sempre fui.” Desde muito pequena a Bárbara sabe que é adotada. “Nós sempre rezamos pela outra mãe dela. E eu sempre repito que ela teve muita sorte por ter tido 2 mães”. 

E foi assim que Junya catou uma camiseta branca velha que tinha em casa, pediu ajuda da Bárbara para recortar um buraco no meio da blusa, se prostrou em frente ao espelho com uma câmera fotográfica em punho e chamou a filha. Colocou a cabeça dela de forma que ficou parecendo que ela estava na barriga da mãe. Pronto. Missão cumprida. “Eu tirando a foto e ela morrendo de rir em frente ao espelho”, conta Junya. No livrinho para a escola: ela, com a filha ao lado, fez questão de escrever todos os detalhes, inclusive de que a “gravidez” da Bárbara durou 3 anos.

Junya passou 5 anos fazendo todo o tipo de tratamento para engravidar, enquanto ainda era casada. Depois de muito tentar, ela decidiu entrar na fila de adoção, a contra gosto do marido. O casamento acabou e ela seguiu na fila da adoção. Até que depois de 3 anos, recebeu uma ligação. “Eu brinco que eu dormi Junya e acordei mãe. Bárbara sorriu para mim ao meio dia e às 4 da tarde já estava na minha casa. Detalhe: eu não tinha nada pronto, nem berço, nem fraldas, nada.”

Quando Bárbara não tinha nem um ano ainda, o improvável aconteceu: Junya engravidou sem querer de um namorado, aos 44 anos. E a vida conspirou tanto a favor, que apesar de não terem ficado juntos, o ex-namorado é um excelente pai para as duas filhas de Junya. E as irmãs “são unha e carne”.

 Foto: Arquivo de família

Foto: Arquivo de família

Junya segue driblando preconceitos com o seu bom humor peculiar. Gabriela, a filha mais nova, de 7 anos, é branca. Enquanto Bárbara é negra. Ela me conta, achando graça, que um dia foi buscar as filhas numa festinha e Bárbara veio correndo abraçá-la e a chamando de mãe. Uma senhora olhou a cena e perguntou: “O pai dela é escurinho?” E de pronto, Junya respondeu: “Hum… sabe que eu não me lembro.”

E a repercussão do dever de casa? Bárbara chegou da escola orgulhosa contando pra mãe que o trabalhinho dela foi o único que a professora leu e mostrou na classe. Tanto sucesso fez até a irmã ficar com ciúmes e chegou a dizer pra mãe que também queria ter sido adotada.

A foto de Bárbara na barriga de Junya virou “case” na escola. A menina é a única criança adotada por lá e o dever de casa ensinou muito para muita gente. “Eu sempre enfatizei dela ter orgulho de quem ela é. Eu não estou criando uma filha coitadinha por ser adotiva. Eu quero criá-la para ser uma mulher forte e independente”. E bem resolvida também… Junya me conta que ela estava disputando um brinquedo com um coleguinha que a provocou: “E você que é adotada?”. E ela (bem no estilo da mãe) respondeu: “Isso eu já sei”.

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