O Diário de uma Mãe Sem Tempo

O Diário de uma Mãe Sem Tempo

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Às 21h30, eu estava pronta para dormir... mas a casa bagunçada, o feijão da semana no fogo, a roupa pra pendurar na máquina, a mochila por arrumar do pacotinho, a roupa de amanhã pra passar e mais umas 15 coisas que me atropelaram pelo caminho não estavam prontos pra dormir... conclusão do experimento: fui dormir mais de duas horas depois insatisfeita por não ter dado conta de tudo.

Acordei às 5h10. No tempo entre desligar o despertador e levantar, refiz mentalmente a lista do dia. Não vai ser bolinho, pensei... nunca é. Estava pensando a mesma coisa à 00:35 quando deitei. Hoje é dia da Santa Taiz dar uma força lá em casa, mas precisava deixar a bagunça organizada pra ela. Cato brinquedos entre bocejos, guardo roupas que tirei há uma semana do varal. Percebo que já estou atrasada. Não vai dar tempo. 

Melhor deixar um bilhete e pedir a Taiz pra fazer uma trouxa com a bagunça que eu vejo depois. Mas cadê o colant do balé? Reviro gavetas, charafurdo cantinhos. Enrolo o cabelo e prendo com uma piranha. Não vai dar tempo de pentear. Segunda ela foi pro balé com um colant improvisado porque eu tirei da máquina e esqueci de colocar pra secar. Lembro. O colant está no varal desde segunda. Roupa do balé separada. Uniforme separado. Por que os pares de meia nunca se encontram? 

Tomo o café com leite frio mesmo. Não vai dar tempo de esquentar. Se desse, não daria tempo de bebericar com calma. Melhor não queimar a língua. Engulo o café. Aquele prazer de beber devagarinho e depois lamber o açúcar do fundo da caneca se foi. 6h. Estou oficialmente atrasada. Chego na portaria a tempo de ver o ônibus passando na porta do prédio. Mudo o itinerário. Não penteei o cabelo. 

Lembrei que não li a agenda. Será que tinha que levar alguma coisa pra escola? Ontem teve sopa de letrinhas. Todas as mães estavam lá. Eu não estava. Li o bilhete. Mandei o macarrão de letrinha no dia certo, mas não li que as mães podiam ir provar. “Não tem problema. A mãe do Teodoro foi um pouquinho minha mãe”, Pacotinho me explicou solidária com a minha visível tristeza. Já estou triste de novo só de lembrar. Será que tinha alguma coisa importante na agenda? 6:32. Não vai ser bolinho.

Alessandra Cruz é casada, mãe do “pacotinho” Malu, de 4 anos, e mora no Rio de Janeiro. Ela é professora universitária no Curso de Jornalismo da PUC-Rio.

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