O segredo para se adaptar é conseguir ser flexível

O segredo para se adaptar é conseguir ser flexível

Uma amiga brasileira que já morou nos Estados Unidos, no Japão e voltou a morar no Brasil recentemente, me escreveu uma mensagem esses dias. Ela estava de férias com a família e eles passaram pelo lugar em que já moraram no estado de Nova Iorque. E ela me contou que ficou feliz de retornar ao mesmo supermercado, cruzar as ruas que tantas vezes dirigiu e encontrar rostos conhecidos. Lembrou de coisas boas, coisas difíceis, mas relembrou também que tinha sido feliz ali e que de alguma forma aquele lugar lhe pertencia também.

Ela ainda complementou a mensagem dizendo que tem certeza de que se voltasse ao Japão sentiria a mesma coisa. E que morando agora de volta no Brasil, não se sente um peixe fora d’água como muitas pessoas sentem quando voltam de um longo período fora.

Sendo minha amiga, eu conheço o jeito dela. Ela tem um temperamento capaz de se adaptar e procura ver as coisas de forma otimista. O que fez uma enorme diferença pra ela quando decidiu acompanhar o marido pelas andanças profissionais dele pelo mundo. Claro, eu não posso desconsiderar que ela não foi morar em nenhum país em guerra, em nenhum país com problemas de saneamento ou segurança. Mas ainda assim, essa característica de conseguir fazer de “um limão, uma limonada”, procurar aproveitar da melhor maneira o fato de estar vivendo numa outra cultura é algo super importante pra quem vai ficar longe do Brasil.

Digo isso a respeito da minha amiga, porque nesse meu tempo fora, já vi muitas pessoas perdendo oportunidades. Ela, ao contrário, agarrou todas as que foram possíveis e não estacionou na frustração diante do primeiro pepino (e é claro que sempre são muitos).

Conheci uma moça super revoltada de estar aqui nos Estados Unidos porque por algum motivo o marido veio a trabalho por tempo determinado. Em meia hora de conversa, ela conseguia reclamar de tudo: da comida, das pessoas, do clima, dos programas de TV, do jeito da professora dos filhos, das leis… Ela passou 3 anos aqui e o que poderia ser, no mínimo, uma oportunidade de conhecer coisas diferentes do que ela estava acostumada, ela preferiu viver emburrada e só voltou a sorrir quando foi hora de voltar para o Brasil. Tive pena do marido e dos filhos. 

Numa outra história que soube aqui, uma mãe brasileira subiu nas tamancas porque na escola o filho teve que limpar o chão por algum motivo a pedido da professora. Ela foi na escola reclamar que “filho meu não faz essas coisas”. Aquele tipo de gente que ainda diz: “Porque no MEU país…” Pois é… mas o país que você está é outro. Outras regras. 

Muita gente discute sobre morar fora pensando em coisas como: vou arranjar emprego? vou conseguir me virar com a língua? vou ficar com muitas saudades? Mas esquece de investigar a si próprio antes. Será que eu sou uma pessoa flexível? Será que eu consigo conviver com “tantas” diferenças? Será que vou me esforçar para usar essas tais diferenças a meu favor? Porque sinceramente saudade é uma coisa, todo mundo pode ter de alguma forma. Mas ficar implicando com o que obviamente não será nunca igual ao Brasil, é outra. É como se diz num bom português: “ficar dando murro em ponta de faca”.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7. Eles moram em Washington-DC. Uma das coisas que ela se concentrou quando fez as malas há sete anos foi pensar que a felicidade não depende de onde vamos morar mas de como vamos nos posicionar.

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