Eu pensei que não ia conseguir ter amigas não-brasileiras: estava enganada

Eu pensei que não ia conseguir ter amigas não-brasileiras: estava enganada

Pra quem mora fora, longe da sua zona de conforto, existe uma frase bem batida mas que é a mais pura realidade: “O tempo é o senhor da razão”. Ou de um jeito ainda mais simples: “Nada como um dia depois do outro”.

Essas frases se encaixam bem em muitas situações que a gente vive quando estamos distantes. E pra mim, nesse momento, especialmente no que se refere a amizade. Vou completar 8 anos morando nos Estados Unidos e preciso confessar que por muitos anos (!), talvez metade desse tempo, eu achava que jamais teria amigas, como as amigas que eu tenho no Brasil. Sempre achei que só brasileiras me entenderiam como eu sou na verdade. Sempre considerei que é em português que eu consigo ser eu mesma.

Eu estava enganada.

Lembro bem de uma conversa que eu tive com a Camila, minha parceira do blog, sobre isso. Eu me perguntava se eu seria capaz de fazer amizade por aqui. Me sentia meio tristinha porque, claro, convivia com algumas mulheres, mas não as identificava como “as amigas”.

Acontece que ninguém está mais por aqui no pré-primário, né? Ninguém iria bater na minha porta pra perguntar: quer ser minha amiguinha? Pra cativar pessoas, pra ter um grupo, pra se sentir inserida: a gente precisa ter boa vontade. Talvez, claro, porque com a maternidade a vida fica sempre muito mais ocupada, a gente vai deixando de procurar amigas naturalmente. Mas é o tal negócio: a gente não pode desistir. 

Eu achava que só procurando amigas brasileiras por aqui é que eu ia ficar bem. Tenho que ser justa pra dizer que encontrei nos Estados Unidos amigas brasileiras muito bacanas. Mas foi o TEMPO, aliado à minha disposição, que me fez ver que eu também podia ter um grupo de não-brasileiras como amigas.

E elas apareceram e são fantásticas. No meu caso, elas não são do trabalho, porque faço home office. Elas são todas do meu grupo de ginástica e mães como eu. Não são apenas americanas. Entre elas, há ainda duas polonesas, uma colombiana e uma filha de imigrantes vietnamitas. E dessa mistura nasceu cumplicidade, generosidade, conversa boa e ajuda mútua. Não é uma amizade superficial como tantas vezes eu achei que era a única forma possível de me relacionar com não-brasileiras. É algo genuíno e que me faz um bem danado quando eu vejo, por exemplo, elas preocupadas comigo por algum motivo. 

É claro que a língua é um entrave para conhecer pessoas. Mas justamente o tempo ajuda nisso. E ainda assim, mesmo que o idioma não seja impecável, uma pessoa do bem não vai se importar com os seus errinhos na hora que você estiver tentando se expressar. E mulheres legais existem! E pode apostar que elas também estão em busca de ter amigas. Mesmo vindo de origens tão distintas, todas temos os mesmos tipo de pepino: com os filhos, com o marido, com o trabalho, com a cor do cabelo, com a vontade de emagrecer… é inacreditável as coisas em comum que você descobre. E também um aprendizado ver como elas lidam de forma diferente com algumas questões. 

Minha dica é: não se apavore achando aí onde você está que você está fora do contexto, é o patinho feio da história e jamais vai ter uma galera pra chamar de sua. Tenho absoluta certeza de que se você está se sentindo assim nesse momento é porque isso é apenas uma fase, dentro de tantas no quesito adaptação. Você vai encontrar uma tchurma. Dê tempo ao tempo. E no momento certo: deixe aberto o seu coração. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7. Eles moram em Washington-DC. Ela resolveu escrever este texto porque hoje ela vai sair com as amigas para celebrar o aniversário de duas delas. E as crianças vão ficar com os papais!

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