O feriado norte-americano do jantar caprichado

O feriado norte-americano do jantar caprichado

Para quem veio de fora como eu, arrisco dizer que o Thanksgiving é o feriado mais importante do calendário americano - seja qual for seu estado, sua religião, ou seu partido político. Uma verdadeira comoção, mais do que Natal, mais do que a virada do ano. Sempre na quarta quinta-feira do mês de novembro.

A idéia é que seja um dia de agradecimento pelas coisas boas na vida de cada um, mas é mais do que isso: é quando os filhos ausentes visitam os pais (exatamente como a gente vê nos filmes), é quando as famílias se preocupam em convidar algum amigo que esteja sozinho na cidade, é quando a maioria do comercio fecha as portas (e olha que para as lojas deixarem de funcionar por aqui…só assim mesmo). É uma época também de pessoas mais abertas à confraternização corriqueira: eu mesma hoje, no supermercado, troquei receita com três pessoas diferentes. Eu acho que a vibe do agradecer ajuda as pessoas a ficarem mais solícitas e simpáticas.

É um momento de comida farta na mesa, de preferência um belo jantar. Daquelas mesas que a gente é acostumada a ver em encontros de família grande no Brasil aos domingos, mas que por aqui acontece neste dia especial uma vez por ano. Algumas receitas não podem faltar de jeito nenhum: o peru, o molho de cranberry, o stuffing  (primo distante da nossa farofa - que eu particularmente não gosto), o purê de batata doce e a Pumpkin Pike (a torta de abóbora) de sobremesa.  

De acordo com a National Turkey Federation (sim, existe uma federação que cuida especificamente do assunto), cerca de 46 milhões de perus (!) são consumidos no Thanksgiving. Mas em tempo de cada vez mais pessoas aderindo ao não-consumo de carne, outro dia descobri uma história bacana: uma fazenda, perto da minha casa, neste mês de novembro oferece um cardápio vegano: as famílias (principalmente com crianças) podem almoçar por lá enquanto famílias de peru circulam pelas mesas, sem nenhuma ameaça de se tornarem parte do menu.

Assim que cheguei aqui, bem desavisada, não tinha a menor idéia da importância da data. Fiquei impressionada com a movimentação nos supermercados na véspera. E como não tinha realmente planejado nada, não fiz nem jantar especial. Mas a gente vai pegando o jeito das coisas e nos anos seguintes a data entrou para o calendário da minha família: seja celebrando na nossa casa, seja aceitando o convite de amigos. 

E aproveitando que o tempo é de gratidão: queria agradecer a todos que nos acompanham neste blog. Incrível como já fizemos amizades em tantas partes do mundo, em como já dividimos e trocamos experiência e como ficamos tão realizadas quando recebemos mensagens bacanas para continuar. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mora em Washington-DC e é mãe de Felipe, de 13 anos, e Alice, de 7 anos. A celebração deste ano tem como convidados, vovó e vovô, que vieram com a farinha pra fazer uma bela farofa!

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