Lembrancinha em festa infantil: alguém me explica?!

Lembrancinha em festa infantil: alguém me explica?!

Você produz uma festa linda. Decora, faz doces, salgados, pensa em brincadeiras e, quando dá, até aluga um pula-pula. Você recebe, serve, rega e mesmo sabendo que vai limpar tudo no fim, deixa a farra rolar solta, afinal, é festa! Tá e onde é que entra a lembrancinha mesmo? Pra que ela serve?

“É para as pessoas lembrarem da festa, oras!”

Jura que as pessoas esquecem de uma festa cheia de diversão e brigadeiro com tanta facilidade? Não é possível.

No fundo, se você pensar bem, vai ver que lembrancinha de festa não faz o menor sentido e que seguimos repetindo esse hábito por... puro hábito. Uma família faz. Daí uma outra vai na onda. A próxima criança a fazer aniversário exige. Uma mãe culpada (quem nunca?) porque está trabalhando muito acha que isso fará da festa algo memorável e: tome saquinho de alguma coisa. A próxima família na lista dos aniversários racha, metade acha que não deve ter, mas como é sempre melhor pecar por excesso, chega ao veredito de uma lembrancinha acima de qualquer suspeita: terra e semente pra plantar. Essa quase me convence, mas logo recobro a consciência: porque precisamos presentear os convidados?

Muita vezes a resposta está em não querer ser o diferentão ou simplesmente porque é assim que todo mundo faz. E, dessa forma, seguimos perpetuando esta cultura bizarra.

E não vou entrar aqui no mérito destes presentes – muitos cacarecos de vida curta ou “brincabilidade” questionável – porque mesmo quando é algo bacana (um brinquedo maneiro, uma garrada personalizada ou kit pintura) o que estamos ensinando às nossas crianças com este hábito? Muitos já chegam na festa perguntando se tem ou o que é a lembrancinha. É a cultura do consumo transbordando pelo ladrão. São nossos filhos achando que brinquedos são como água que sai da torneira.

Uma vez escutei de uma criança: “como assim não tem lembrancinha nesta festa?”. Expliquei que se ela quisesse poderia levar alguns brigadeiros e uma bexiga pra casa. Ela sorriu e pediu a bexiga. Me doeu muito mais ouvir uma criança desdenhar a lembrança de uma festa superbacana: “só tem bobagem na lembrancinha”, disse o garotinho. Tomara que os donos da festa não tenham escutado. Me cortou o coração.

E, assim, não por outro motivo (quem quer ser lembrado como bobagem?), vamos requintando cada vez mais as lembrancinhas, que muitas vezes custam mais do que o presente recebido. Alguns vão dizer: 'Ah, Lia, mas eu já vi lembrancinhas ótimas'. Sim, eu também. Meu bode não é com a criatividade das pessoas, é com a cultura instalada de ter que dar presente para os convidados da festa.

A celebração ser linda, divertida e gostosa não é suficiente para levar boas lembranças? E mais: queremos mesmo nossas crianças apegadas ao que vão ganhar ao sair? Questionemos.

Lia Bock é jornalista e escritora. Sócia do ex-marido no programa Ex-casados no Youtube, sobre separação humanizada. É autora do livro Manual do Mimimi (do casinho ao casamento e vice-versa) e coautora de dois filhos lindos: Ernesto, de 9 anos e Matias, de 4. Você encontra a Lia aqui:  https://www.facebook.com/euliatulias/ e  https://twitter.com/euliatulias e também no  UOL, onde este texto foi publicado originalmente.

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