Berlim, te amo

Berlim, te amo

Sabe aquelas cidades que te fazem bem? Que inspiram sua vida, te apresentam novas formas de viver? Existem cidades assim pelo mundo inteiro, tenho certeza. Mas para mim, atualmente, essa cidade é Berlim. Só de entrar no trem para Berlim já começo a me animar.

Queria conseguir explicar direito porque me sinto tão bem por lá, mas não consigo. Só sei que toda vez que eu vou - e eu vou muito! - eu sempre descubro uma coisa nova, sobre mim e sobre Berlim.

Deve ser por causa das pessoas, sempre tem gente interessante em Berlim. Gente com histórias de vida malucas, gente livre, criativa, gente que tem a opção de ser a mãe perfeita de Prenzlauer Berg ou o alternativo de Kreuzberg. Ninguém tá nem aí. Seja o que você quiser.

Talvez sejam os lugares. Por exemplo por causa daquele restaurante libanês minúsculo na Kastanienallee, que está sempre decorado com flores verdadeiras, (uma quantidade de flores desproporcional ao tamanho do lugar) ou por causa do ceviche dos deuses do Arminiusmarkt? Talvez seja porque na Moritzplatz tem uma loja de três andares de material para arte e design que me deixa louca de ideias todas vez que eu vou. Ou porque sim, ainda é possível visitar um prédio, um hospital, um sei lá o que abandonado e ser transportado na história.  A última coisa abandonada que eu fui visitar em Berlim foi nada mais nada menos do que um centro de espionagem em cima de um monte em uma floresta. Sério.

Ou talvez eu ame tanto Berlim por eu me mato de dançar no Clärchens Ballhaus. Um salão de bailes inaugurado em 1913 onde você literalmente dança com gente de 18 a 80 anos de idade. Nunca vou esquecer da primeira noite que fui lá. Um amigo espanhol que mora em Berlim que me levou. Saiam luzes azuis pelos janelões do casarão e quando entrei estava tocando Michael Jackson. Era um lugar lotado de gente sem medo de ser feliz e eu dancei a noite inteira como se não houvesse amanhã. (E não houve.)

E o que dizer de uma cidade onde há 12 anos, em Kreuzberg, existe um apartamentinho usado para meditação mantido com contribuições anônimas? Na internet as únicas informações são o endereço e os horários em que as pessoas se encontram para praticar Vipassana. Fui lá faz algumas semanas. Você chega no horário indicado, te servem um chá, e quando dá a hora, você entra numa salinha simples mas muito bem cuidada e fica lá meditando por uma hora com outros desconhecidos. Quando acaba você dá tchau e volta no dia seguinte - se quiser.

Talvez seja a beleza. É tanta. O verde dos parques, os prédios antigos, a arquitetura, o rio cortando a cidade. O céu. Sim, deve ser o céu. Não sei o que tem aquele céu. É tão grande. E no final de semana passado ele estava especialmente lindo. Fazia um frio do além - estilo Sibéria (ou estilo Berlim mesmo). Mas os dias estavam claros, com aquele ar meio cristalino especial dos dias de sol no inverno. A luz batia nas águas (quase) congeladas do Spree. Muito lindo. E e de noite era lua cheia, gigante e maravilhosa gritando no céu:  “Eu sou a lua de Berlim!”

Pode ser também porque esta cidade me faz encontrar amigos. E quando desencontro deles, sempre há novos amigos para encontrar. Como o Mark, que voltou para Berlim faz 6 meses e que fazia 11 anos que eu não via. E que me convidou para jantar com ele e a filha de 6 anos (ele acumula as funções de pai solteiro e presidente de uma fundação bacanérrima), e depois que ela foi dormir, me contou as histórias mais incríveis do mundo, e eu saí da sua casa com a certeza que a coisa mais legal na vida é conhecer gente enorme como o Mark. Obrigada por esse reencontro lindo, Berlim.

Talvez seja porque Berlim é a cidade da minha sogra. Uma senhorinha viúva de 77 anos, que leva uma vida ativa de fazer inveja - cheia de amigos e programas. O mais legal é o grupo de inglês. Ela e mais uns 7 aposentados se reúnem semanalmente em um café há 4 anos para praticar inglês. Nunca - em nenhum encontro EVER - eles falaram inglês.

Eu sinceramente não sei explicar em poucas palavras o que é que me faz amar tanto Berlim. É isso e mais tudo o que que eu ainda não sei, tudo que eu ainda não conheço. Só sei que não tem uma vez que vá a Berlim e que eu não volte um pouco diferente para casa.

Camila Furtado mora em Colônia há 12 anos. Se um dia mudar para Berlim vai voltar sempre para Kölle. Só para beber Kölsch, pular carnaval (óbvio!!) e sentir o que provavelmente só Colônia tem: um calor humano tão enorme que parece até que estamos na América Latina :-)

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