Precisamos ficar do mesmo lado

Precisamos ficar do mesmo lado

Coincidentemente hoje eu acordei com duas histórias que me sensibilizaram muito num momento de celebração pelo “Dia Internacional da Mulher". Não quero chover no molhado, nem usar de vitimismo. Aliás, peguei uma birra danada da expressão “mimimi”. Eu acho que se tem alguma coisa que está ruim pra alguém, ninguém tem o direito de avaliar que está bom ou “menos ruim”.

A primeira história eu compartilhei no Facebook: a mãe solo que foi proibida de levar a filha pra dentro da sala de aula, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Ela não tem com quem deixar nem como pagar alguém pra ficar com a filha. O professor acha que a criança incomoda. Ela não tem direito de estudar pra alcançar novos sonhos? Ele não tem direito de dar uma aula “em paz”?

A única coisa que ninguém tem direito é de julgá-la. Por que não pensar numa solução? Porque não ter mais acolhimento e menos julgamento? Uma vaquinha para pagar uma cuidadora? 

Fosse aqui nos Estados Unidos (me desculpe, eu acho horrível essa coisa de comparar) já havia existido uma mobilização na própria universidade pra arranjar uma creche gratuita pra menina. Aqui eles são ótimos em ajuda comunitária. 

Aliás, existem faculdades americanas em que a creche é gratuita para estudantes com filhos, como a Wilson College, em Chambersburg, Pensilvânia e eles têm um “Programa especial de atendimento a mães solo”. 

Em todo Estados Unidos, 2,6 milhões de estudantes são mães solo. E é claro que o Brasil também tem um monte de mães que precisa se virar e está na batalha. O mais triste é que muitas já desistiram por falta de apoio.

A outra história, eu recebi de uma amiga via WhatsApp. Uma amiga dela que mora aqui nos Estados Unidos, na parte oeste do país, está sofrendo violência doméstica. A gota d’água foi o marido tentar impedi-la de sair de casa, segurá-la com força e ela acabou dando uma mordida no braço dele. 

O caso não poderia ter acabado pior: ela chamou a Polícia pensando que ia ter proteção. Mas como o marido é quem foi “agredido”, depois que ele mostrou a marca da mordida, ela foi presa. Foi revistada nua na cadeia e humilhada. Passou uma noite na prisão na mesma cela de traficantes. Além disso, o marido conseguiu uma medida restritiva da justiça americana e ela não pode voltar pra casa e só pode ver o filho, um bebê, por pouco tempo e sob supervisão. Fico pensando: se a Polícia acreditou no marido, quantas pessoas não a julgariam em comentários numa rede social?

Uma tristeza quem tem coragem de chamar a luta de mulheres de mimimi. Eu sei que muito já progredimos. Mas é que essas duas histórias ainda são emblemáticas e reais! Passei o dia quebrando a cabeça de como poderia ajudar. Já fiz alguns contatos. Sigo tentando. Se você puder fazer algo: torça por elas e critique menos. Cada uma de nós é bem diferente uma da outra, mas, em nome da nossa sobrevivência, precisamos ficar do mesmo lado.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 6. Eles moram em Washington-DC.

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