Mães americanas não gastam com festa de aniversário dos filhos

Mães americanas não gastam com festa de aniversário dos filhos

Hoje, trocando mensagens com uma amiga, eu aqui nos Estados Unidos e ela no Brasil, ela me saiu com esse comentário quando eu expliquei como funciona os aniversários infantis aqui onde eu moro: “Isto é libertador. As mães daí devem ter outras culpas, mas essa de festa pra filho elas não tem!”.

Ana, a minha amiga, disse tudo. Realmente eu não conheço nenhuma mãe em volta de mim por aqui que gaste fortunas com festa de aniversário pra filho. Se alguma delas fosse convidada pra alguma das nossas festinhas brasileiras, certeza delas desmaiarem. E festa de “mesversário” então? Eu estava justamente tentando explicar para uma amiga americana, que tem 3 filhos, sobre essa moda no Brasil de fazer festinha (ou até festão) para celebrar cada mês da criança. Ela olhou pra mim com um misto de curiosidade e estranheza e só perguntou: “Mas por que?”.

Óbvio que cada uma gasta seu dinheiro como bem quer. E faz quantas festas quiser. Eu mesma, ainda no Brasil, já parcelei as festas do meu primeiro filho. Eu só estou aqui ponderando diferenças culturais e comportamentais. Na média, as mães americanas que eu conheço compram uma caixa de cupcake no supermercado (que não sai por mais de 12 dólares) e canta um parabéns na escola ou entre o grupo de amiguinhos da vizinhança ou do parquinho. As que querem fazer algo mais chamam os amigos mais chegados para um cupcake e pizza em casa ou vão para algum lugar com alguma atividade para os convidados, mas onde o cardápio é o mesmo (cupcake + pizza). E tudo não dura mais do que duas horas. E é um cupcake pra cada criança! 

Eu mesma, ainda remanescente da tradição brasileira, dou sempre um jeito de comprar balões (poucos pra não assustar), copinhos, pratinhos e faço um banner de “Feliz Aniversário”. Apenas isso já causa espanto das mães que olham a minha “grande” decoração e fazem aquela cara de “Pra quê isso?”. Foi exatamente assim há duas semanas, no aniversário da Alice.

Jamais esqueci algo emblemático pra mim: Felipe, o meu mais velho, foi convidado para uma primeira festinha de um amigo da escola, assim que chegamos por aqui. Era numa quadra fechada de esportes e a única decoração que havia lá era um balão pregado numa parede, apenas para demarcar o terreno da festa. E olha que não era uma questão de falta de grana, muito pelo contrário. 

Surpreendente que o país capaz de inventar tantos produtos, tantas quinquilharias decorativas… e as mães daqui não usam nadinha. Na festa da Alice, por exemplo, eu comprei uma coisa super prática para colocar os cupcakes (uma armação que a gente monta feita de papelão para deixar os cupcakes organizados como se fossem várias bandejas atreladas). Eu achei bacana porque era decorativo e ficava bom nas fotos (risos). As mães americanas vieram me perguntar onde eu tinha comprado aquilo, que elas acharam incrível. E olha que eu comprei num local que todo mundo conhece. Ou seja, não faz parte mesmo do universo delas. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos. Eles moram em Washington-DC. Outro detalhe por estas bandas: apesar de ser terra da Coca-Cola, refrigerante em festa de criança não existe, é basicamente um sacrilégio. A maioria toma água.  

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