Por que as mulheres acima dos 40 são a nova "geração sem idade"

Por que as mulheres acima dos 40 são a nova "geração sem idade"

Polly Kemp é professora de yoga num hotel, é viciada no Instagram e adora moda e viagens. Ela tem três filhos, o mais velho de 22, e tem 51 anos. "Não tenho ilusões de que tenho 19 anos. Estou muito confortável em minha própria pele - rugas, cabelos grisalhos e tudo mais ”, diz ela. "Mas eu sei que eu vivo muito diferente de como minha mãe e minha avó viviam na minha idade. Eu e minha filha muitas vezes pegamos emprestadas as roupas uma da outra, embora possamos não usá-las da mesma maneira. E nós duas amamos roupas vintage, então nós frequentemente vasculhamos brechós juntas. Nós gostamos da mesma série de TV na Netflix e estamos seguindo o mesmo desafio diário de ioga online no YouTube”.

"Quando ouço o termo - de meia-idade - tenho que parar e pensar: isso significa que sou eu?”, questiona a entrevistada. Mas uma pesquisa exclusiva do jornal inglês “Telegraph” descobriu que, como Polly e muitas de nós, 96% das mulheres acima de 40 não se sentem de meia-idade. 

O estudo com mais de 500 mulheres constatou que 80% dos entrevistadas acham que as suposições da sociedade sobre mulheres de meia-idade não representam como elas vivem. Mais de dois terços se consideravam no auge da vida; 59% sentem-se jovens e têm energia como nunca - em parte devido ao foco na saúde e exercícios - e 84% disseram que não se definem por idade.

Armadas com estereótipos negativos sobre as mulheres mais velhas, as empresas ainda se concentram na geração Millenium, apesar do maior poder financeiro estar na faixa acima dos 40 anos. Uma das responsáveis pela pesquisa diz que até 2020, estima-se que até um terço da força de trabalho do Reino Unido terá mais de 50 anos e eles controlarão 80% da riqueza. 85% das decisões de compra são feitas por mulheres e, no entanto, 91% das mulheres não acreditam que os anunciantes as compreendam.

84% das mulheres pesquisadas disseram usar produtos e serviços que consideravam voltados para mulheres mais jovens. Mas o hiato de geração está se fechando. Ou seja, as mulheres na faixa dos 40, 50, 60 e além não se associam mais a uma vida sedentária, que inclua apenas chás beneficentes, uma “viagem de cruzeiro” ou o uso de “cintas elásticas". Até o termo "meia-idade" está se tornando obsoleto.

A revista People elegeu Julia Roberts, 50 anos, como a mulher mais bonita do mundo em 2017. E o presidente da França, Emmanuel Macron, 40 anos, já foi mais do que exposto em fotos apaixonadas com sua glamourosa esposa loira, Brigitte, que por acaso tem 65 anos.

Pelo mundo, mulheres mais velhas e célebres estão reescrevendo todas as regras. De JK Rowling a Nicole Kidman; de Michelle Obama a Anna Wintour, elas estão no auge de seu poder e criatividade. Engajadas e influentes. Do Brasil, podemos falar, para citar algumas, em Ivete Sangalo (45 anos), Miriam Leitão (65 anos), Carmem Lúcia (64 anos) ou Gisele Bundchen (sim, ela está com quase 40). 

Existe até um novo termo para descrever pessoas com essa mentalidade sem idade: "perenes". Foi cunhado pela empresária norte-americana Gina Pell, 49 anos, que explica: "Os Perennials estão sempre florescendo, são pessoas relevantes de todas as idades que sabem o que está acontecendo no mundo, mantêm-se atualizadas com a tecnologia e têm amigos de todas as idades. Nós nos envolvemos, ficamos curiosas, somos mentoras de outras pessoas e somos apaixonadas, compassivas, criativas, confiantes, colaborativas e com uma mentalidade global.”

De acordo com Ellen Langer, professora de Psicologia na Universidade de Harvard, as pessoas que se sentem velhas em comparação com os outros tendem a envelhecer mais rápido, e um fator importante para isso é a maneira como elas se vestem. A boa notícia é que não precisamos de um jaleco branco para obter os mesmos benefícios para a saúde; nem precisamos nos vestir "jovens". Desde a década de 1990, a sociedade se tornou cada vez mais informal e a moda se tornou mais genérica.

Felizmente, a mesma pesquisa do Telegraph descobriu que 67% das mulheres com mais de 40 anos se sentiam mais confiantes do que há uma década, e muitas também estão mais ambiciosas. "Fazer coisas que me desafiam" foi importante para 60% das mulheres na pesquisa; a satisfação pessoal foi uma prioridade para 61%, enquanto 63% se descreveram como "muito otimistas" em relação ao futuro. Quase 80% disseram que tinham um forte apetite para explorar e experimentar coisas novas com ou sem filhos.

"A ideia de se aposentar aos 50 anos e ter um ninho vazio é totalmente desatualizada para a maioria das pessoas", diz Richard Cope, analista de tendências de consumo. "O futuro está em empresas com visão de futuro, como a Netflix e a Amazon, que classificam os clientes por seus gostos, não pela idade. Definir as pessoas pelo ano de nascimento é muito antiquado", conclui a "inventora" do termo "Perennials", Gina Pell.

Este texto é uma adaptação livre do texto originalmente publicado no Telegraph.

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