Terror na "Festa do Pijama"

Terror na "Festa do Pijama"

“Festa do pijama” entre crianças está na moda. É a turminha da escola, a turminha do condomínio. Ninguém quer ficar de fora. Alguns pais ficam receosos da criança ir dormir fora, mas muitos concordam porque, afinal, tudo parece que vai ser muito divertido.

Não foi o que aconteceu com a filha de Tatiana. Ela foi convidada para uma festinha do pijama para comemorar o aniversario de 9 anos de uma coleguinha da escola. Eram 10 crianças. Não seria a primeira vez que a filha dormiria na casa de uma amiguinha, mas foi a primeira “festa do pijama”. Tatiana conhecia a família da aniversariante. Os pais estavam na casa. Ao deixar a filha, checou o ambiente e achou que ficaria tudo bem.

Uma das atrações da festinha foi assistir a um filme. Até aí nada demais. Acontece que o filme já escolhido previamente foi um filme de terror. Mais especificamente o filme “Caso 39”, na categoria de “terror psicológico”. 

No site Commom Sense Media (excelente para pais verem avaliações de filme), a indicação etária é para maiores de 17 anos. Além disso, o site adverte que: “Caso 39 faz parte do subgênero de terror "crianças assassinas", no qual as crianças são mostradas como más e homicidas; Há muita violência, incluindo algumas cenas envolvendo crianças (em uma sequência particularmente perturbadora, adultos empurram uma menina para um forno e acendem), assim como outras mortes e ferimentos.”

A filha de Tatiana, aos 9 anos, nunca tinha assistido a um filme desse tipo. E passou a noite apavorada. Disse para a mãe que falou para a dona da casa que estava com medo. “Minha filha disse que a mãe da aniversariante tentou acalmá-la de que era apenas um filme de suspense”, conta Tatiana. Mas a menina chegou em casa no outro dia traumatizada. “Ela falou que no filme, passado dentro de uma casa, havia criança que se transformava em capeta”. A mãe explica que a filha está com pavor de ficar em qualquer lugar da casa sozinha e à noite a situação fica ainda mais difícil. Chora muito antes de dormir. 

Tatiana está levando a filha a uma psicóloga e tem tentado com muito amor e carinho ajudá-la. “Não vai ser uma coisa rápida de resolver, pois ela realmente ficou com um trauma, abriu uma “janela” que era pra ficar trancada por bem mais tempo”, diz Tatiana. Ela sofre de ver a filha tão assustada. Diz que jamais imaginou que ao permitir que a filha participasse de uma festinha, ia expô-la a tal situação. E ao deixar que eu contasse a história aqui, durante a minha entrevista, ela frisou: “Se servir como alerta para outras mães, já estará valendo”. 

Tatiana é um nome fictīcio, a pedido da entrevistada.

Pra você que é mãe e acha que racismo é mimimi

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