A defesa por amamentar sem constrangimento tem que começar por você, mãe que amamenta

A defesa por amamentar sem constrangimento tem que começar por você, mãe que amamenta

Vamos ao “X” da questão: de que adianta “mamaços”, exposição na mídia e redes sociais, ativistas pela amamentação em livre demanda e onde quiser, se entre nós mulheres, mães que amamentam, ainda existe tanto preconceito e pudor?

Explicando melhor: li um relato de uma mãe que estava no “Espaço Família” de um shopping com o marido e a filha pequena. Eles foram até lá porque precisavam trocar a fralda da criança. E nesse meio tempo, uma mãe que estava amamentando reclamou com a funcionária e pediu que o pai saísse do local porque ela estava se sentindo incomodada com a presença dele. 

Assisti inúmeras vezes este tipo de situação durante o tempo em que a minha filha ficou numa UTI Neo Natal. Algumas mães exigiam que os pais dos outros bebês saíssem quando elas estavam amamentando. Eu ficava com muita pena dos pais, pois afinal de contas o tempo da visita era cronometrado e vira e mexe eles ficavam sem poder ficar com seus filhos.

Eu também fui uma mãe que gostava daquela intimidade só nossa, entre eu e cada um dos meus filhos, sem ninguém ficar se intrometendo na “nossa” mamada. Mas entendam, a partir do momento em que eu me dispunha a amamentar em público e o meu filho precisava, não dava pra exigir: “desçam todos do mundo, que eu vou amamentar”. 

Tive acesso a uma pesquisa que me deixou estarrecida. A comunidade “Apoio Materno Solidário”, em 2015, ouviu 250 mulheres de vários estados brasileiros, intitulada “Levantamento Nacional sobre o Constrangimento de Mães pelo Ato de Amamentar em Público”. Entre os constrangedores de mães que amamentavam: 70% eram mulheres e 30% eram homens. E as justificativas mais repetidas foram de que a prática “desvia” a atenção dos homens e que estas mulheres estavam tentando “seduzir seus maridos”. 

No mesmo hospital onde estava a minha filha, uma enfermeira me explicou que a UTI Neo Natal tinha tal procedimento de pedir aos pais que saíssem caso houvesse uma mãe amamentando (porque geralmente uma mãe de UTI amamenta pertinho da incubadora onde fica o bebê) por conta de ter já existido uma situação em que um pai sem noção não parava de olhar os seios de uma mãe.

Ainda assim, eu penso que vivemos em 2018 e está mais do que na hora de uma mulher, empoderada e amamentando, ao se sentir realmente constrangida - seja por um segurança de uma loja, shopping ou qualquer lugar, seja até mesmo por um pai de uma outra criança - se imponha. Saiba questionar diretamente para o sujeito, saiba reclamar. Mas daí impedir o ir e vir de qualquer pessoa, justamente num momento em que a gente reivindica o ir e vir das mães que amamentam, não faz muito sentido pra mim. Somos nós mesmas boicotando a própria causa.

Eu sei que pode ser um ponto polêmico. Mas a minha dúvida crucial é: como a gente vai defender que amamentar é um ato de amor, que eu preciso nutrir o meu filho seja onde for, que não existe motivo pra sentir vergonha nisso... se o preconceito já começa nas próprias mães?

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos. Eles moram em Washington-DC. Ela acha que este é um tema que precisa ser discutido e ficaria imensamente grata de ver as opiniões a respeito. 

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