Uma "caixa de correio" para salvar bebês abandonados

Uma "caixa de correio" para salvar bebês abandonados

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Imagine uma espécie de caixa de correio. Mas ao invés de ser um lugar para o carteiro deixar correspondências, o espaço cabe um recém-nascido e tem até um colchãozinho. A ideia partiu da americana, Monica Kelsey, que foi abandonada quando criança. Ela se dedica a fazer o que for preciso para salvar bebês inocentes de serem abandonados de qualquer maneira e acabarem morrendo.

As caixas, que em inglês se chamam Baby Boxes Safe Haven, fazem parte de uma organização não-governamental com o mesmo nome e estão equipadas com alarmes que notificam o Corpo de Bombeiros e a Polícia local quando um bebê é colocado no interior.  Eles são acionados em 30 segundos após um recém-nascido ser colocado na caixa. A criança é resgatada pela equipe em no máximo 5 minutos. A caixa foi projetada para ser um ambiente acolhedor e seguro, com sistema de ar condicionado ou aquecimento. 

Este tipo de resgate de bebês abandonados é recente nos Estados Unidos e só existe em dois locais no estado de Indiana. Houve até uma polêmica sobre o uso das caixas por autoridades que criticaram o gasto da Polícia com a manutenção e o monitoramento delas. Além disso, os que são contra temem que as caixas impeçam as mães de buscar ajuda médica ou emocional, já que ao deixar a criança na caixa não existe interação face a face com ninguém.

Mas os responsáveis pelo projeto não concordam com as críticas. “A Safe Haven Baby Box é uma opção de último recurso para mulheres em crise. São mulheres que estão desesperadas e que não querem ser identificadas pelo que estão fazendo. Elas realmente preferem o anonimato”, explica Priscilla Pruitt, porta-voz do Safe Haven Baby Box. 

Ainda assim, se as mulheres quiserem ajuda, existe junto à caixa uma linha direta de emergência com o pessoal da organização National Safe Haven. A linha direta e os conselheiros são supervisionados por um psicólogo da equipe médica com mais de 25 anos de experiência em crises de gravidez. O objetivo é fornecer às mães em crise os recursos que lhes permitam estabilizar sua situação e ter tempo para tomar uma decisão que seja do interesse de si e de seus filhos. Tudo o que a organização não quer é que um bebê seja abandonado numa lixeira, num rio ou numa estrada. 

Para que a caixa fosse instalada, o estado de Indiana promulgou uma legislação que aprimora suas leis para incluir o projeto da caixa como uma forma de facilitar uma rendição anônima. Ou seja, alguém que queira abandonar uma criança dessa maneira, não vai ser preso por isto. Também os estados de Ohio e Pensilvânia já tem leis assim, e devem ser os próximos locais a terem as caixas. 

Desde que as caixas foram instaladas, há oito meses, duas crianças foram resgatadas delas. As duas foram encaminhadas para a adoção. Não há câmeras para ver quem colocou a criança. Não haverá uma investigação para encontrar os pais. “Eu realmente gostaria de agradecer a mãe que fez isso, por fazer a coisa certa de deixá-la na caixa. Em vez de nós encontrarmos o bebê em uma vala ou numa floresta. Já tivemos tantas histórias horríveis ”, disse o chefe adjunto do Corpo de Bombeiros local, Warren Smith, sobre a segunda criança encontrada.

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