A mãe monstro

A mãe monstro

Tem dias que eu sou a mãe monstro.

Grito, xingo, dou palmada no bundelê.

Tem dias que minha paciência está curta: telefone, cliente, deu errado, tá atrasada, saí correndo, piti pela tv (nesses dias ameaço deixar a cria para a tv criar).

Tem dias que não dá, não existe disciplina positiva que dê jeito, a cria cisma que não, e você tenta um sim e nada retrocede até que você solta um: Vai fazer sim, pois sou sua mãe e eu estou mandando! E, claro que a essa altura não saiu com voz de princesa, mas de troll mesmo. 
Bem alto, daquele jeito que a vizinha ouviu e já foi chamar o marido para ver como você é uma mãe cruel.

A mãe monstro, se você também é uma, é aquela mãe que estuda, trabalha, dá conta de casa, do marido e do filho ( aqui pelo menos não tem marido). Tenta dar conta de ser mãe e ser mulher em pleno século XXI. 

No meu caso, sou mãe solo, não que isto justifique muita coisa, mas tem dias que estou exausta e tudo o que eu queria era que minha filha escovasse os dentes sem que eu tivesse de pedir um milhão de vezes. Ou que ela não desse um piti pela Miss Moon, ou que não me fizesse repetir pela milésima vez na fila da Araújo que: não, hoje não tem Shopkins, hoje não tem bala, você tem muita bala e muito Shopkins em casa.

As vezes tudo o que eu queria era que a DTC PARASSE DE FAZER A MERDA DESSES BRINQUEDOS COLECIONÁVEIS QUE ESTIMULAM O CONSUMO DESENFREADO! Para que eu pudesse chegar em casa e brincar de bike com minha filha sem ouvir a infindável lista de aniversário.

Então, como estou cansada, como sou mãe e pai, eu grito, eu berro, eu dou tapa no bundelê, eu mando a disciplina positiva pra Tonga da mironga do cabuletê. Depois da tempestade, eu choro, é que falta alguém pra dividir, pra conversar (a maioria das minhas amigas não tem filhos). É o vôo solo.

Quando eu era criança eu queria muito me casar, sonhava com isso. Mas, a vida se mostrou com outros planos e eu tive a oportunidade de aprender a tal sororidade, a aprender sobre feminismo e aprender sobre fazer uma vida solo. Eu tô aqui aprendendo, sendo uma mãe monstro, mas principalmente aprendo que para ser mulher precisamos olhar pra outra e se abraçar, pois tá tudo bem, a gente é para o que nasce.

Um beijo da mãe monstro

Adriana Gontijo Nunes é mineira de Belo Horizonte, mãe de Ana Sofia, de 5 anos, é gestora e consultora financeira. Adriana faz parte do grupo "Padecendo no Paraīso", um grupo fechado no Facebook com mais de 8 mil mães. Aqui, o site do Padecendo com publicações bacanas e aberta ao público. 

Quer ver seu filho adolescente com a cabeça preenchida de coisas boas: faça-o se sentir útil!

Quer ver seu filho adolescente com a cabeça preenchida de coisas boas: faça-o se sentir útil!

Se você não consegue ser flexível, melhor não mudar de país

Se você não consegue ser flexível, melhor não mudar de país