O médico que está sempre fantasiado para seus pequenos pacientes

O médico que está sempre fantasiado para seus pequenos pacientes

 Fotos: arquivo Dr. Sergio Gallegos

Fotos: arquivo Dr. Sergio Gallegos

Quem olha para as fotos sem conhecer o contexto, vai logo imaginar que se trata de um animador de festa infantil ou coisa parecida. Mas este homem sempre fantasiado é na verdade um médico que atende crianças com câncer num hospital público de Guadalajara, no México. Em todos os dias de consultas, ele escolhe um personagem. São mais de 50 figurinos no armário de casa.

Sergio Gallegos trabalha há 18 anos como oncologista pediátrico. É chefe da Clínica de Leucemia. Ele me conta, numa entrevista exclusiva para o blog, que é também um sobrevivente de câncer há 30 anos. “Eu sei o que é sofrer esse caminho, então decidi criar um momento mágico e especial em cada consulta para fazer com que as crianças e suas famílias se sintam melhores”. 

“Meus critérios para escolher as fantasias às vezes estão ligados a datas especiais como o Natal, Dia das Crianças ou alguma tradicional do México. Às vezes eu invisto numa ideia como, por exemplo, quando me vesti de pintor e dizia aos meus pacientes que todos nós temos a habilidade de pintar um lugar melhor para os outros. Eu sempre procuro transmitir por meio dos personagens um valor positivo para eles, um desejo de lutar pela vida”, diz o médico.

São sessenta novos pacientes de leucemia diagnosticados a cada ano no hospital em que ele trabalha (o Hospital Civil de Guadalajara Dr. Juan I) e cada paciente fica em tratamento por três anos e depois continua por cinco anos. São cerca de 400 consultas por mês. 

Há três anos o médico lançou uma campanha na cidade para coletar fantasias para seus pacientes, afinal se trata de um hospital púbico e muitas famílias não têm como arcar com esse pequeno luxo. “Tem crianças que usam a fantasia todos os dias e só não vão à consulta fantasiados porque os pais me explicam que aproveitam o pretexto da ida ao hospital para conseguir tirar a fantasia da criança e colocar para lavar”, diz achando graça.

O médico de vários personagens, também encara campanhas importantes como a que ele batizou de “A Caixa de Ouro”,  um fundo monetário para comprar antibióticos que crianças com câncer precisam receber na primeira hora de atendimento de urgência, o que reduz significativamente a mortalidade. E mais recentemente ele começou outra campanha para conseguir construir um abrigo para crianças e mulheres com câncer, que não possuem recursos financeiros e vão a Guadalajara para tratamento.

O médico explica que a história das fantasias acaba sendo um alento para os pais. “Imagine o que é um pai ou uma mãe ter que trazer o seu filho para o hospital e ele não quer ir. Então você tem que lutar para trazê-lo e sofre muito com isso. Mas há uma grande diferença quando o seu filho acorda e pede pra você escrever uma mensagem para o médico porque ele quer ver o Chapolin vermelho. E no dia seguinte na consulta, o médico está lá fantasiado do jeito que seu filho queria. Você ver o seu filho sorrir numa situação em que normalmente é de choro e fardo faz uma grande diferença”.

O Dr. Gallego tem um filho de 16 anos e uma filha de 18 anos, que já está cursando Medicina. Nessa sua trajetória de luta pela vida de crianças, ele garante: ”As emoções que eu vivo todos os dias moldaram meu coração, moldaram a pessoa que sou hoje. O amor que recebo deles e de suas famílias é uma das coisas mais maravilhosas que me aconteceram. Eu dou um pouco de mim e eu recebo muito de todos eles.”

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