A responsabilidade de ensinar o português aos seus filhos é sua!

A responsabilidade de ensinar o português aos seus filhos é sua!

Vira e mexe eu leio em grupos de mães, que estão criando filhos fora do Brasil, a mesma preocupação: “como eu faço para manter ou ensinar o português para o meu filho?”. E assim aparecem várias sugestões: YouTube, revistinhas da Turma da Mônica, conviver com outras crianças que falem o português, músicas brasileiras, cursos online, mandar passar férias no Brasil…

Tudo isso é muito válido. Mas me desculpe quem acha essas coisas suficientes. Na verdade, todas estas boas idéias complementam o “x” da questão.

Partindo do princípio que qualquer criança aprende com exemplos. Se não for a mãe brasileira ser a primeira a insistir dando o exemplo, ou seja, falando sempre em português, como as crianças vão se sentir com vontade de falar? Se você não demonstra orgulho pela sua primeira língua, como seus filhos vão passar a admirá-la?

Se você é brasileira, é o testemunho do seu Brasil que você pode dar aos seus filhos. E obviamente, a língua é um desses testemunhos. Eu não sei em quais circunstâncias você deixou o país. Com rancores, tristezas, saudades, felizes memórias? O que eu percebo é que a gente consegue transmitir aos nossos filhos o que a gente consegue trazer no coração.

Calma, não estou acusando ninguém de estar “falhando” no ensinamento do português para os filhos porque não se importa ou nunca “amou o Brasil”. Mas esta é uma questão relevante para ficar atenta. Tanto que os especialistas - e eu sou apenas uma mãe neste barco - explicam bem do que eu estou falando: a “língua de herança”. 

A língua de herança é aquela falada com o coração, a transmitida porque a sua avó brasileira cantava cantigas antigas e você quer passá-las aos seus filhos. É aquela que você vibra porque soa muito melhor ouvir um “mamãe” do que um “mom”. Porque expressões engraçadas como “salvou a lavoura” ou “cor de burro quando foge”, não fazem o menor sentindo em qualquer outra língua mas fazem o maior sentido na sua memória afetiva e é um barato tentar mostrar isto aos filhos. (Nem que você passe o dia todo explicando o que estas expressões significam).

Nenhuma outra pessoa vai conseguir aprender o português como o que é passado de mãe para filho. Nenhum curso de português para estrangeiros consegue ir fundo em sentimentos, raízes, lembranças.  

Não adianta uma família arranjar uma professora de português para os filhos e recebê-la em casa falando em outra língua, fechando a porta da sala enquanto as crianças estão com a professora e pensando: problema resolvido! Eu tenho uma amiga, professora de português, que tem alunos com famílias assim. Me pergunta o esforço que ela tem com eles? Afinal, esta mãe brasileira trata o português do mesmo jeito que uma aula de piano ou karatê, que ela nunca aprendeu quando criança e sabe bem que tem gente melhor do que ela pra ensinar. Me pergunta se com alunos assim, o português vinga? Claro que não! Basta a professora ir embora que o português vai com ela. Porque, de novo, não existe aí exemplo familiar de orgulho da língua. 

O português tem que sair do seu coração com um detalhe a mais: a persistência. Não adianta falar português pela manhã e ir dar boa noite em outra língua. Não adianta ficar com vergonha de falar em português com o seu filho em público. Não adianta você pensar que se falar em português com os seus filhos eles não vão entender ou vai “atrapalhar” a outra língua deles. Não adianta se sentir desanimada porque o pai fala outra língua. Não adianta se sentir fracassada quando eles começam na escola e só querem falar a nova lingua descoberta.

Você é a brasileira da família? Então, a conexão é sua e a responsabilidade por isso também.  Simples? Fácil? Claro que não. É um exercício diário. Se fosse moleza não haveria tantas dúvidas e grupos de discussão sobre o tema. Mas eu insisto: é a sua persistência que vai mudar o rumo da história dos seus filhos. E eu nem vou me deter aqui a mostrar as inúmeras pesquisas mostrando quão mais inteligente uma criança vai ser por saber mais de uma língua. Pra mim, eu considero um presente que eu estou oferecendo aos meus filhos. Mas como todo presente “vivo”, a gente tem que cuidar para mantê-lo.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos. Eles moram em Washington-DC. Os dois filhos são fluentes em português e inglês.

Observação: meu marido, como brasileiro, também só fala em português com os nossos filhos. Ele e os demais pais que estão nessa empreitada também merecem o crédito pelo bilinguismo dos filhos. 

 

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