Uma solução para aquele comecinho em que a gente se sente tão só

Uma solução para aquele comecinho em que a gente se sente tão só

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A aula é tão bacana que numa primeira avaliação você pode até pensar que não vai dar certo: fazer ginástica levando junto o seu filho, mesmo ele sendo um bebê de colo. Mas a aula é bem sucedida: você, sua criança e o carrinho de bebê. Mães unidas num único objetivo: cuidar do bem estar físico, sem precisar se preocupar onde o filho vai ficar. E de quebra, ainda fazem "terapia": trocam experiências e se sentem menos sozinhas. Afinal, se você não tem sobrinhos pequenos ou amigas com filhos, até as crianças irem para escola ou creche e você conhecer outras mães, a solidão materna é fato.

“O melhor de tudo aqui é estar longe de qualquer julgamento e por isso mesmo me sinto motivada. Estamos no mesmo barco. Então, se um dos meus filhos está com a roupa suja de comida ou começa a chorar, quem está a minha volta vai me entender”, explica Kristin McGonical, mãe de um casal de gêmeos de quase 2 anos. Sim, ela vai com gêmeos! E eu já vi mães com até 3 filhos na mesma aula. 

Pra quem fica no desespero de pensar “e se meu filho começar a reclamar?”,  tem sempre uma mãe disposta a dar uma mãozinha e pegar a criança um pouco no colo ou mesmo a professora faz isso. Todas as professoras são mães e precisam fazer um treinamento que inclui primeiros socorros, os cuidados com cada tipo de exercício físico, tudo para oferecer uma aula segura e eficaz.

Eu sempre acho impressionante a animação das mães americanas. Chegam com bebezinhos de semanas e super dispostas mesmo exaustas. Parece uma incongruência mas não é: a disposição vem porque elas querem começar um ciclo de amizade. O que eu mais ouço: "Eu precisava sair um pouco de casa".  

Eu comecei no grupo quando a minha mais nova tinha 6 meses. A regra é manter a criança presa ao carrinho durante todo o período de aula. Depois, elas brincam juntas enquanto as mães conversam. O local da ginástica vai desde parques e praças públicas até shoppings centers, antes deles abrirem (geralmente entre 9 e 10 da manhã).

O bando de mães com carrinhos chama a atenção de quem passa por nós. Impossível não achar graça nas mães cantando musiquinha infantil enquanto se exercitam (as músicas divertem as crianças enquanto estão nos carrinhos). Tem sempre alguém tirando foto do grupo e comentando.

O Stroller Strides - nome do programa - começou nos Estados Unidos em 2001, em San Diego, na Califónia, idealizado por Lisa Druxman. Ela estava procurando uma maneira de misturar sua paixão pelo fitness com a maternidade e bingo! Criou a rotina dos exercícios, que muitas vezes envolve o carrinho dos bebês.

Hoje, o programa tem franquias em todo os Estados Unidos. Na região em que eu moro, há 29 classes por semana, com uma média de 15 mães por classe. O preço das aulas também é um bom chamariz: mais em conta do que uma academia+babá, com direito a aulas de segunda a sábado. 

Eu não sei se no Brasil existe algo parecido. (Se existir, vou adorar saber nos comentários). Mas é que tem tanta praça, praia, parque que poderia ter este tipo de aula. Uma hora de suor garantido e o seu bebê olhando você malhar com aquela carinha derretida. E se chorar ninguém vai te olhar de cara feia, porque provavelmente o da colega ao lado chorou na semana passada. E quando os filhos crescem um pouquinho: eles voltam pra casa e querem imitar os exercícios. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos. Mesmo não tendo mais criança no carrinho, ela continua fazendo parte do grupo, onde fez grandes amigas. No período de férias, Alice curte as aulas junto com a mãe e vira baby-sitter dos bebezinhos.

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