Quer ver seu filho adolescente com a cabeça preenchida de coisas boas: faça-o se sentir útil!

Quer ver seu filho adolescente com a cabeça preenchida de coisas boas: faça-o se sentir útil!

Se você tem um filho adolescente, como é o meu caso, tenho certeza de que no topo das suas preocupações está conseguir mantê-lo longe do celular e/ou dos joguinhos eletrônicos. (Alguém já teve coragem de fazer uma fogueira com o Xbox? Porque tem dias que esta é exatamente a minha vontade!)  Eu diria que lutar contra a hipnose da internet é uma das maiores batalhas na saga de criar um filho adolescente. E essa batalha aumenta nas férias. E aqui, as férias (de verão) já começaram e duram 3 meses.

Pois partindo disso, acho que Deus resolveu ouvir as minhas preces. E a mãe de um amigo do meu filho, que estuda na mesma escola e mora na nossa mesma vizinhança, me mandou um convite irresistível. O filho dela e o meu filho estavam aptos para trabalharem, como voluntários na parte da manhã, ajudando a cuidar de crianças de 2 a 5 anos numa colônia de férias. Bingo! Era tudo que eu precisava para o meu adolescente de 13 anos ficar longe do computador. 

A questão de voluntariado aqui nos Estados Unidos é culturalmente muito forte. Começa-se desde bem cedo e já no Ensino Médio conta pontos para quando o jovem entra numa universidade. É chegar as férias do meio do ano que você vê estudantes do High School para todo o lado: como guarda-vidas nas piscinas e como assistentes  nas colônias de férias de verão. Sendo que nesses dois tipos de trabalho eles até recebem salário.

Eu preciso confessar que tanto o Felipe quanto os outros dois amigos que se juntaram para o trabalho voluntário com as crianças da pré-escola não estavam mega empolgados com a novidade. Claro que foi preciso um empurrãozinho de nós, mães, para que eles tomassem as providências necessárias - ter a assinatura e a autorização da escola deles para participarem do voluntariado e dessa forma as horas de trabalho contarem para o currículo escolar. 

E assim, meio que desconfiados, eles começaram a primeira semana de “trabalho”: chegada pontualmente às 9 da manhã, sem uso de celular e com meia hora de almoço trazido de casa. E tudo se desenrolou de forma surpreendente. Felipe, que nem é de falar muito, voltou contando histórias dos seus “aluninhos”. Um que sabia tudo de dinossauros, outro que repetia o tempo todo que era o “Batman”.

Perguntei quais eram as suas atribuições. Meu filho me explicou que era preciso brincar com as crianças, cantar músicas, organizar as salas antes e depois das atividades, orientá-los nas tarefas de desenhar. Só não era permitido ajudá-los na ida ao banheiro, que estava a cargo das professoras. 

Qual a diferença que esta experiência trouxe para a minha casa? É claro que os adolescentes são sempre uma caixinha de surpresas e justamente por conta dessa idade, o humor e o comportamento variam muito. Mas eu pude perceber um filho mais comprometido com as responsabilidades. Experimentando um gostinho de ser considerado mais maduro porque gente ao redor está confiando tarefas importantes a ele. Ou seja, não sou apenas eu ou o pai batendo na tecla do "faça isso ou aquilo". 

Meu instinto de mãe me diz que se a gente tem um filho adolescente, a gente precisa ocupar a mente dele com coisas produtivas, úteis. Essa é a fase em que eles se testam e nos testam, certo? Pois então, o “teste” pode ser fazer o bem a alguém, a um grupo de idosos, à sua vizinhança, a um abrigo. Mesmo não sendo uma tradição brasileira essa coisa “voluntária”, eu acho que pode sempre existir alguma coisa bacana: numa biblioteca pública, numa igreja, num serviço humanitário…  E a minha dica é: para que eles se “contagiem”, o melhor é fazer isto com o grupo de amigos. Como diria a minha avó, “cabeça vazia, oficina do diabo”. E neste século, vazia com a ajuda da internet, a oficina fica ainda mais perigosa. 

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe do mais novo voluntário da praça, Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos, que já queria ter ido com o irmão. Eles moram em Washington-DC. Ela ficou com lágrimas nos olhos quando o filho mostrou um desenho que ele ganhou de um “aluninho” ao fechar a primeira semana de “trabalho”.

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