E quando seu filho acha que você não fala bem a "outra língua"?

E quando seu filho acha que você não fala bem a "outra língua"?

Quem acompanha as nossas postagens aqui no blog, sabe que eu defendo com “línguas e dentes” o Português como Língua de Herança, aquele que estou passando para os meus filhos pois se refere ao idioma com o qual cresci, aquele que eu falo usando o meu coração. 

Mas tem uma coisa nessa relação nossa de pais brasileiros versus filhos que estão crescendo ou nasceram num outro país que não chega a me incomodar (muito), mas eu sigo atenta. Quem nunca recebeu uma “chamada” de filho por causa da sua pronúncia no outro idioma? (no caso, o idioma em que nossos filhos estão inseridos, por causa do país em que estamos vivendo). 

Pois aqui em casa eu já ouvi muuuuito: “Mamãe, o seu inglês é horrível”. “Mamãe não é assim que se fala…”, “Ai… mamãe você precisa falar melhor inglês…” Alguém se identifica? Pois meus filhos são mestres em me corrigirem. Não que eu fale mal o inglês, mas certamente a minha pronúncia jamais vai ser idêntica a deles, que falam um inglês impecável. 

Além de ficar passando esse recibo, existe algo mais tenso nessa história. E sobre isso eu já conversei com algumas pessoas a minha volta que se identificaram com a minha preocupação. O fato de que vindo nós, pais, de uma cultura e criando filhos dentro de uma outra, existe um perigo de existir um distanciamento pais e filhos justamente por causa da distinção cultural.

Explicando melhor: nessa de depreciar os pais que não falam o inglês do jeito que eles falam tão bem, os filhos, principalmente na fase da adolescência (e pré-adolescência também), começam a não dividir (nem valorizar) mais as coisas com os pais, pois os consideram de uma certa forma ignorantes culturalmente (na visão deles). 

Tive uma conversa com a professora da minha filha justamente sobre estas questões culturais entre pais e filhos. Os pais dela são koreanos. Ela cresceu nos Estados Unidos. No caso específico, os pais nunca falaram inglês fluentemente. Ela me confidenciou que o fato dos pais não estarem inseridos na sociedade americana como ela sempre esteve (por causa da escola e dos amigos), isto acabou afastando-a de um contato mais íntimo com os pais, principalmente na adolescência. “Eu falava o koreano, o problema não era não entendê-los. Mas da minha parte, por ser o inglês a minha primeira língua e por achá-los distantes da minha realidade, eu não conseguia ter conversas profundas com eles”, me disse ela. 

Não podemos ignorar que esse distanciamento pode acontecer. Principalmente no caso dos pais que realmente preferem ficar a distância da língua, só falando mesmo o básico do idioma do país em que a família mora. 

Pois bem, minha cara amiga (e amigo) fora do país que batalham para manter filhos bilíngues e que se vêem em muitos momentos “depreciados” pelos filhos pelo fato de não terem a melhor fluência ou a melhor pronúncia numa determinada língua: a gente precisa se valorizar.

Toda vez que a minha filha vem com o papo de “Ai, mamãe, seu inglês não é tão bom quanto o inglês das mães das minhas amigas”, eu retruco rapidinho: “E quantas mães das suas amigas falam português?” Porque sinceramente eu acho que eu preciso deixar beeeem explicado para ela que eu sou fluente em português, eu tenho orgulho do meu bilinguismo, eu tenho uma bagagem cultural que me acompanha, tive uma vida no Brasil antes dessa vida fora do Brasil. 

Não pode ser uma disputa para ver quem fala melhor, não é pra ser uma batalha de qual cultura vence em casa. É para somar. É para agregar. E não esquecer de estar sempre lembrando a eles que: “Eu não tenho nenhuma vergonha de ser bilíngue, nem muito menos do meu inglês com sotaque abrasileirado”.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos. Eles moram há 7 anos em Washington-DC. Nessa de se valorizar, ela acha válido contar sobre as coisas da sua infância no Brasil que as crianças adoram ouvir. 

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