Leite materno é o melhor, mas e se ele não é suficiente?

Leite materno é o melhor, mas e se ele não é suficiente?

Já tem um tempão que eu gostaria de falar sobre o movimento americano chamado “Fed is best”. Mas eu ficava sempre pensando num jeito de tudo ser bem explicado, para que eu não seja má compreendida. 

Eu amamentei com muito esforço os meus dois filhos, até mais ou menos os sete meses de cada um. Já falei sobre isso aqui em outros posts. Foi uma batalha. Eu brigava com o pediatra, com a minha mãe e com todo mundo que tentava me convencer a dar leite em pó. Eu achava aquilo uma heresia, um completo absurdo. Eu tentei todas as formas de translactação para conseguir produzir mais leite e para que jamais meus filhos desistissem do meu peito. Tinha um horror imenso de mamadeira. Chorei quando o meu filho precisou tomar a primeira mamadeira da vida dele, quando eu tive que voltar a trabalhar, ainda no Brasil, depois da licença maternidade. 

Não me arrependo de nada do que fiz. Não escrevo tudo isso para me fazer de mártir. Mas agora, com os meus filhos já crescidos e tendo lido tanta coisa a respeito, consigo ter um certo distanciamento para pensar com menos emoção e mais razão. 

É óbvio que qualquer mãe de recém-nascido, bem esclarecida e que buscou informações como eu busquei, sabe da importância do leite materno para um bebê. Isto é indiscutível. E muitas já ouviram coisas do tipo: “cuidado com os pediatras que te induzem a usar o leite artificial, afinal eles ganham dinheiro das indústrias pra te convencer…”

Pois existe um outro lado dessa história que ninguém pode deixar de saber também. Mães que não conseguem produzir leite suficiente para o próprio filho e a criança acaba sofrendo de fome.

Aqui nos Estados Unidos, ficou bem conhecida a história de Jillian Johnson. O filho dela, Landon Johnson, morreu de parada cardíaca, em 2012, por causa da ingestão insuficiente de leite materno durante seus primeiros dias de vida. Hoje, Jillian trabalha orientando famílias sobre os riscos de uma amamentação exclusiva insuficiente. Ela faz parte da organização não-governamental americana chamada “Fed is best”. O trabalho dessa fundação, formada por médicos, enfermeiros e pesquisadores, é fornecer às famílias e aos profissionais de saúde as pesquisas científicas mais atualizadas sobre a prática da alimentação infantil segura seja ela com leite materno, artificial ou uma combinação de ambos.

"Ensinar os pais a alimentar o bebê de maneira segura e completa é a maneira mais importante de proteger a saúde e o potencial humano de uma criança”, diz Christie del Castillo-Hegyi, médica e fundadora da organização. A experiência do Fed is Best, diante de inúmeras histórias que recebem, é de que as mães muitas vezes sentem imensa pressão pela sociedade e pelos atuais protocolos de amamentação para amamentar seus recém-nascidos, mesmo quando elas não têm leite suficiente.

Segundo a organização, os dados mostram um aumento nas hospitalizações por complicações alimentares em recém-nascidos exclusivamente amamentados mas que não recebem leite materno suficiente, incluindo taxas crescentes de icterícia, hipoglicemia e desidratação, que podem ameaçar o cérebro de um recém-nascido. Os responsáveis pelo "Fed is best" consideram que todas as mães que desejam amamentar devem ser apoiadas para isso, assegurando ao mesmo tempo que seu filho receba toda a nutrição de que ele precisa para se manter saudável e seguro.

Esta é uma discussão importante. Eu mesma, com o meu primeiro filho, acabei deixando que ele chegasse a um baixo peso porque eu me recusava a dar leite artificial como complemento. E aqui eu deixo o meu alerta: se o seu recém-nascido não estiver ganhando peso suficiente, procure ajuda. De acordo com as pesquisas da organização Fed is Best, a produção insuficiente de leite materno afeta pelo menos 1 em cada 5 mulheres nos primeiros dias de vida do bebê. Eu acho que este fato não pode ser ignorado. 

Fabiana Santos é jornalista e mora atualmente em Washington-DC. É mãe de Felipe, de 13 anos, e de Alice, de 7 anos. Ela espera que este post não cause nenhuma confusão: ela é 100% a favor da amamentação, mas também 100% a favor de que nenhum bebê passe fome!

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