Não confunda “How are you?” com “Como você está?”

Não confunda “How are you?” com “Como você está?”

Para uma brasileira, como eu e você, uma pergunta assim: “Como você está?” Significa muita coisa, não? Bem, pelo menos para mim, sim. Na minha cabeça, é algo que demanda uma resposta quem sabe até longa, que faz quem responde achar que aquele que pergunta está realmente preocupado com a sua vida, com o que você está passando ou sentindo. 

Até eu vir morar nos Estados Unidos, eu nunca tinha me dado conta de que a mesma pergunta, traduzida para o inglês, não tem a mesma interpretação. Falar disso com um certo distanciamento, já se vão quase 8 anos morando fora, soa até engraçado. Mas na época, houve da minha parte uma pontinha de constrangimento.

A porta da escola do meu filho, onde eu ia buscá-lo todos os dias, era a forma de me encontrar, no início, com os outros pais e mães, meus vizinhos. Estavam eles lá, assim como eu, para buscar seus filhos a pé. E claro, vinha a pergunta: “How are you?”. E por algumas vezes eu me equivoquei na resposta. Eu achava mesmo que aquelas pessoas queriam saber de mim, da minha vida, do que eu precisava ou estava sentindo. Lembrando que foram os meses barra-pesada (aqueles de adaptação que todas nós passamos). Zero amizades, muito o que descobrir e aprender, varias tentativas de estabelecer contato. 

Mas a bobinha aqui precisou de alguns sinais para entender que aquele “How are you?” era apenas uma formalidade, praticamente um “Oi” de alguém educado que não quer te ignorar. Que definitivamente, por maior que seja o sorriso junto com a pergunta, a pessoa não está querendo saber da sua vida. E eu lá, achando que havia espaço para uma conversa, mas elas não estavam afim de saber de tudo aquilo. Me olhavam com uma cara de “ah…claro, mas eu tô com pressa”.

E foi assim que eu acabei percebendo que o que elas queriam mesmo ouvir de mim era a mesma frase de volta “How are you?” com simpatia mas sem prolongamentos. Ou um mero “Good”, mesmo que eu não estivesse num bom dia.

O tempo passou, a zona de desconforto foi ficando menor e a zona de conforto foi se expandindo. A gente vai se orgulhando de entender melhor a cultura, o jeito das pessoas, a maneira de se relacionar. Eu já escrevi aqui no blog que realmente o tempo foi o meu melhor aliado para que eu pudesse ter amigas que não fossem brasileiras. E me sentir confortável para falar com elas sobre coisas pessoais em outra língua. Hoje em dia eu obviamente já sei identificar bem o que é um “how are you” no sentido educado mas distante, do “how are you” que nem precisa ser perguntado quando uma amiga americana quer mesmo saber como eu estou.  

Fabiana Santos é jornalista, mora em Washington-DC, é casada e tem 2 filhos, Felipe, de 14 anos e Alice, de 7 anos. Tem outra coisa muito importante que ela também aprendeu (e que talvez vale outro texto): americanos gostam de conversas objetivas, principalmente se você está requisitando um serviço ou produto. Ninguém quer saber de uma prévia história longa, a pessoa quer que você vá direto ao ponto.

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