Slime: uma brincadeira para deixar em 2018

Slime: uma brincadeira para deixar em 2018

A gente achou que estava indo tudo bem controlando a quantidade de açúcar e o tempo de vídeo game. Achou que definindo os youtubers e os funks autorizados estaria tudo sob controle com nossa prole.

Mas eis que deus fez a amoeba, ou slime para os mais americanizados. E tudo que temíamos desde o mostro de marshmelow (Ghostbusters 1984) encarnou numa gosma nojenta!

Essa “brincadeira” é a materialização do inferno dentro de casa.

Tenho pesadelos de que estamos sendo engolidos por uma bola imensa de lodo num pantone que poderíamos chamar de 'colorido tóxico'. E a certeza que daqui alguns meses alguémdeve revelar que aquela coisinha gostosa se chafurdar os dedos era na verdade tão tóxica quando o césio 137, achado em Goiânia. (pesquisas já falam em alta toxicidade e pedem cautela)

Sim, tô dramática. Mas tenho minhas razões. Meus filhos estão vermelhos. Meu sofá está vermelho, o chão está vermelho, todas as toalhas da casa tem algum tipo de gotejamento vermelho e as paredes, interruptores e as pias estão vermelhos. A capinha do celular está vermelha e todas as roupas usadas desde a chegada desse kit maldito estão vermelhas.

Essa porcaria é enlouquecedora! Uma pesquisa no Google e vemos que cada receita se diz a “melhor do mundo” e assim, a molecada que mal faz a própria comida anseia por “kits” para fazer seu próprio slime (sempre maravilhoso). Isso sem falar nos vídeos inúteis que vêm de lambuja. Um mal colocado dentro de casa por avós, pais e tios zelosos que não sabiam onde estavam se metendo.

Porque raios tem que ter corante? E onde já se viu um “brinquedo” que leva pasta de dente, espuma de barbear ou detergente? Não é possível.

Um treco que serve pra... pra nada! Segundo os “slimeros” serve pra relaxar. Mas não vi ninguém relax. Vi um bando de pré-adolescente mega excitados amassando e puxando a gosma que em pouco tempo está cheia de coisa grudada e gotejando pela casa. Me lembrou os compulsivos que precisam arrumar alguma coisa pra fazer com as mãos para não ceder ao cigarro.

Pra mim, a mais nova brincadeirinha da moda é, na verdade, a praga da moda. É a geleca do mundo maker – o que piora um pouco o cenário porque nos expõe aos testes e erros comuns a bons fazedores. E neste ponto temos: corante.

Minha galerinha que me desculpe, mas não gosto de slime. Pode me taxar de mãe chata a vontade, mas na minha casa não! #2019.sem.slime

Lia Bock é jornalista e escritora. É autora do livro Manual do Mimimi (do casinho ao casamento e vice-versa) e coautora de quatro filhos lindos: Ernesto, de 10 anos, Matias, de 5 e as gêmeas Tulipa e Amora, de 4 meses (sim, mesmo com duas bebês em casa ela ainda arranjou tempo de testar slimes em 2018). Você encontra a Lia aqui:  https://www.facebook.com/euliatulias/ e  https://twitter.com/euliatulias e também no UOL, onde este texto foi publicado originalmente.

Não adianta se empolgar no chá de fralda e não ajudar uma mãe no pós-parto

Não adianta se empolgar no chá de fralda e não ajudar uma mãe no pós-parto

Não confunda “How are you?” com “Como você está?”

Não confunda “How are you?” com “Como você está?”