Não venha querer disciplinar meu filho bem na minha frente

Não venha querer disciplinar meu filho bem na minha frente

Ninguém é obrigado a gostar de crianças, nem a ter paciência com elas. Mas o bom senso e as boas normas de convivência dizem que você não gostar é unicamente um problema seu, mas o não tolerar - e consequentemente querer corrigi-las - diz respeito a mim, que sou mãe, e a todos os demais mães e pais do planeta.

Quando você se torna mãe ou pai, estranhos sempre têm sempre algo pra dizer. Mesmo que eles não digam diretamente, a gente pode sentir os olhares ou ouvir comentários sussurrados (que não seria para a gente ouvir, mas que obviamente eles querem que você escute). Mas quando um estranho se encarrega de querer disciplinar uma criança quando o pai ou a mãe está ali, bem na frente… isto é definitivamente como dizia a minha avó: “pular o corguinho”, que eu posso traduzir aqui como: “abusar da minha boa vontade”.

A menos que o filho de alguém esteja causando a você ou a outra pessoa lesões corporais ou grave perigo de morte, você não tem motivos para tentar discipliná-los. Lembre-se: você é o estranho na história, não sabe nada sobre essa criança ou quais podem ser suas necessidades ou experiências passadas.

O que se passa pela mente de uma pessoa para repreender uma criança que ela não conhece? Se você vê uma criança, por exemplo, mexendo na prateleira de uma loja, por que fica tão incomodada com isso? Aquela criança é o filho de outra pessoa. Seus pais disciplinam essa criança da maneira que acham adequada. Então, se eles não estão disciplinando a criança ao seu gosto, isso não lhe dá a liberdade de tomar o assunto como da sua conta. Se mesmo que pela sua ótica, parece que eles não estão nem aí em ficar de olho no filho, no final das contas você nem sabe qual é a real situação. E mesmo que eles não estejam mesmo corrigindo à sua maneira, de novo, o que você tem com isso?

Eu já enfrentei o constrangimento de um intrometido dentro de um elevador. Minha filha que adora cantar, estava cantarolando feliz. Um senhor sisudo, se virou e disse pra ela parar de cantar. Éramos só nós três no elevador. Ela se assustou. É óbvio que meu sangue subiu. A sorte dele foi que o nosso andar chegou antes. Mas ainda deu tempo de responder: “Que pena que o senhor não tolera a alegria de uma criança”.  

Mesmo para quem não possui nenhum contato com crianças e possivelmente justifique não compreendê-las (apesar de se meter em sua educação), é preciso entender que algumas crianças são imensamente sensíveis e qualquer comentário grosseiro pode despedaçá-las. Imagine a seguinte situação: se alguém que você não conhece, um outro adulto, lhe encarar e repreender você, como você se sentiria? Assustar uma criança em público, faz você se sentir bem? Se sim, sinceramente, o que eu tenho pra dizer é que quem tem problemas é você e não a criança em questão. 

E o outro adulto nessa situação? Sim, porque estou falando aqui das situações em que os pais estão presentes assistindo um estranho brigar com o filho deles. Pois se você vai assumir a responsabilidade de reclamar com alguém que não pode se defender, por que não se dirige à pessoa que pode? Se você tem cara de pau suficiente para repreender uma criança, você deveria usar essa coragem para conversar com seus pais. Se o seu incômodo é tão imenso assim a ponto de você não dar conta de deixar pra lá, então, o racional é levar o seu problema para a pessoa que pode fazer algo sobre isso. Uma conversa gentil, explicando o seu incômodo ao adulto, tem grandes chances de surtir um melhor efeito. Porque certeza de que um pai ou mãe pode virar bicho se um adulto estranho constrange um filho. E tem todo direito. 


Sim, claro que o papai precisa ficar em casa quando nasce um filho

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Que tal um livro pra criança que explique o que ela está sentindo?

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