Não adianta se empolgar no chá de fralda e não ajudar uma mãe no pós-parto

Não adianta se empolgar no chá de fralda e não ajudar uma mãe no pós-parto

Meu bebê (e muitíssimo provavelmente o seu) antes de nascer teve um “Chá de Fralda”. Minha mãe com amigas queridas prepararam esse evento com todo o carinho. E não há nenhum problema nisso. Ok… o tempo de gravidez, é você, a barriga e uma infinidade de detalhes envolvendo o bebê. Apenas ele. É o enxoval dele, as coisas imprescindíveis que você recebe de dica e quer comprar pra ele, são os livros que você lê sobre ele, é a decoração do quarto para recebê-lo, são as ultra-sonografias para acompanhar o crescimento dele, é a hidroginástica para que você esteja saudável para ele… e assim vai.


Não me interpretem mal. Eu não sou contra todos estes preparativos, afinal também fiz tudo como manda o figurino. Mas existe uma pergunta pertinente que eu faço hoje, quando já passei por todo o processo e posso fazer então uma análise do que todas nós passamos: por que ninguém pensa no pós-parto? por que ninguém pensa na mãe? 

Ninguém prepara ninguém para as cansativas semanas e meses com um novo bebê (por mais que você tenha feito aqueles cursos em que usa uma boneca pra aprender a colocar fralda). A gente está tão focada na chegada do bebê que não tem a menor idéia de como é realmente cuidar dele. A maternidade, afinal, era pra ser a parte fácil, né? Era, supostamente, para tudo ir se desenrolando naturalmente.


Sério… adianta ter a quantidade suficiente de “body” de seis meses mas não ter suporte real quando as coisas apertam de verdade, em situações que você jamais imaginou passar? Tipo: morar numa cidade longe da familia e ter uma dor de barriga mas não ter quem segure seu filho?  C-l-a-r-o que estou falando de mães que querem ser ajudadas, mas justamente pelo fato de não ser comum ficar pedindo, falta esse entrosamento entre a necessidade de um lado e a vontade do outro. Solidão pós-parto é algo cruel!


Conheci a doula Marisa Marthaller, a partir de um texto dela. Ela mora em Nova York e é especialista justamente em atendimento pós-parto. Além de ter se feito a mesma pergunta: por que ninguém pensa no pós-parto de uma mãe?, Marisa sugere uma solução: que todos os envolvidos na preparação do antes do nascimento, se envolvam também no depois.

A ideia de Marisa Marthaller é a de uma “festa pós-parto”, com a mesma euforia de quando organizam um “chá de fralda”. Mas esta tal "festa" que ela cita, não seria a realização de um único evento. Seria mais como ter as melhores amigas e membros próximos da família se organizando para montar um calendário de ajudas práticas. Fazendo coisas como, enviar refeições; ajudar no trabalho doméstico da casa; marcar hora para ir segurar o bebê enquanto a mãe cochila, toma um banho e come uma refeição; se dispor, até mesmo, a fazer uma vaquinha para pagar um ajudante. São colaborações na questão prática, mas consequentemente na parte emocional de uma mãe em pós-parto.

“Eu acho que existem muitas maneiras de apoiar uma mulher que está se sentindo sozinha no pós-parto. Uma maneira importante é ouvir sem julgamento sobre o nascimento e a experiência pós-parto. As novas mães precisam se sentir ouvidas em sua experiência. E, claro, se a solidão se transformar em sinais de transtornos de humor perinatais mais significativos é preciso um apoio psicológico profissional”, diz Marisa para o nosso blog.

Ela considera, e eu também acho, que não há mal nenhum em combinar com os mais entusiasmados durante a sua gravidez de que eles podem continuar assim depois que o bebê nascer. E podem sim, marcar de trazer comida, lavar roupa ou passear com o cachorro em troca de um chamego no recém-nascido. Afinal, todo mundo sabe que é preciso uma aldeia. Essa aldeia só precisa de uma sacudida para funcionar melhor.

Pra quem quiser saber mais sobre a doula Marisa Marthaller aqui o link do site dela.

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