"Se cuidar" não é o suficiente para resolver a sobrecarga de uma mãe

"Se cuidar" não é o suficiente para resolver a sobrecarga de uma mãe

A conta não fecha muitas e muitas vezes: ser mulher, ser mãe, ser profissional, ser esposa… E a verdade é que a gente não está se cuidando o suficiente. É hora de pararmos de dizer às mães que um simples ato de cuidar de si mesma vai desfazer os anos de sobrecarga induzida pela sociedade e que estão causando a exaustão de todas nós.

Não há banho de espuma que abafe o constante zumbido de ansiedade. Não há amigas num único fim de semana que vão desfazer o isolamento de um pós-parto passado sem ajuda. Não há cochilo que trará de volta a energia despejada equilibrando uma carreira com a maternidade. Não há copo de vinho que alivie o efeito acumulador de todas as doenças pelas quais "não tivemos tempo de consultar um médico".

Mães estão esgotadas e nossa sociedade precisa começar a cuidar delas.

Uma pesquisa de 2019 feita pelo site Motherly descobriu que 51% das mães se sentem desencorajadas quando se trata de gerenciar o estresse do trabalho e da maternidade. Cerca de um terço das mães disse que sua saúde física e mental está sofrendo. E 85% das mães disseram que nossa sociedade não faz um bom trabalho de apoio a elas. O que acontece é que a sociedade sempre pede pra você nutrir em um ambiente que não lhe nutre de volta.

Então, querida mãe, por favor, me ouça: o seu esgotamento não é fruto da sua imaginação. E seu desgaste não é sua culpa.

Você está esgotada porque, a partir do momento em que anunciou sua gravidez ou planejou adotar, foi bombardeada com conselhos e histórias não solicitadas sobre o quão terrível seria sua experiência futura. Você está esgotada porque teve que voltar ao trabalho antes de estar pronta e depois ficou desapontada por não amamentar seu bebê por tempo suficiente. 

Você está esgotada porque sente que precisa justificar continuamente sua decisão de abandonar seu trabalho remunerado. Você está esgotada porque come restos de peixe e crostas de sanduíche no almoço. Você está esgotada porque está sempre fazendo malabarismo com a pressão de estar verdadeiramente com seu filho e com a pressão de ter uma casa limpa e organizada.

Você está esgotada porque, após um dia cuidando de filho, sente que deve estar sexy e disponível para o seu parceiro. Você está esgotada porque não passa um dia sem que você se lembre do peso do bebê que ainda não perdeu. Desse corpo perfeito perdido.

Você está esgotada porque está constantemente lendo e ouvindo novos conselhos sobre a "melhor" maneira de criar seu filho - e equilibrando isso com as formas contraditórias que sua família e sogros lhe dizem pra fazer.

Você está esgotada porque sabe que seu filho não deve ficar assistindo TV, mas simplesmente não sabe como fazer o jantar sem isso. Você está esgotada porque sua terceira babá em dois meses foi embora, e a lista de espera para a creche é impossivelmente longa. Você está esgotada porque sente falta dos seus amigos.

E você não está fazendo nada errado. Seu desgaste não é sua culpa.

Algumas das respostas para esses problemas são óbvias, mas a maioria não é. Porque esses não são problemas que você criou. Eles são manifestações de deficiências culturais que deixam as mães magoadas. Apesar de não ser correto ou justo, cabe a nós consertá-los, porque parece que ninguém irá fazer isso. 

E a questão aqui é sobre se permitir ser vulnerável. Ser honesta. Ao dizer que você se recusa a aceitar a noção de mãe perfeita ou de esposa perfeita.

Se você ainda não teve a chance de assistir ao especial de Brené Brown: assista porque é maravilhoso. (Nós aqui do blog, assistimos!!!) Nele, ela fala sobre como é corajoso ser vulnerável. Em uma entrevista de 2013 com a Forbes, Brown disse:

"A vulnerabilidade é aparecer e ser vista. É difícil fazer isso quando estamos aterrorizados com o que as pessoas podem ver ou pensar. Quando somos alimentados pelo medo do que as outras pessoas pensam ou pelo monstrinho que sussurra constantemente ‘você não é boa o suficiente’, é difícil nos mostrarmos.”

E assim, se mesmo quando tudo parece estar desmoronando, mesmo no meio da bagunça, você declarasse seu valor?

Dizendo ‘não’ ou pedindo ajuda.

Explicando o que você precisa, mas sem pedir desculpas.

E mantendo espaço para outras mães fazerem o mesmo.

Você pode ser ignorada a princípio. Você pode ter gente te olhando atravessado. Mas, ao ser vulnerável - anunciando mesmo suas fragilidades, contando sua história e apoiando outras mães em situação parecida com a sua, as coisas começam a melhorar.

Ser vulnerável é incrivelmente desconfortável. A boa notícia é que ninguém neste planeta é mais corajoso que uma mãe. Então, abaixe sua guarda, mamãe. Não será fácil, nem um pouco. Mas sua coragem inspirará outras mães e, antes que você perceba, teremos uma mudança de cultura em nossas mãos.

Este texto é uma tradução livre deste texto aqui em inglês.

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