Adolescentes e limites

Adolescentes e limites

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Tenho um filho adolescente. Se você também tem, provavelmente passa pelas mesmas questões que eu: celular, internet, limites, liberdade. Ninguém “prepara” a gente quando os filhos se tornam adolescentes. Quando estamos grávidas, a gente corre atrás de toda uma literatura na linha “O que esperar quando se está esperando”. Mas quando eles saem da infância, a gente não teve tempo de ler nenhum manual. Pelo menos é assim que eu me sinto. Além disso, é um desafio lidar com uma geração que nasce plugada na internet. E nem adianta dizer “meu filho adolescente não vai ter um celular”. É quase dizer que você vai criar um E.T. Então, baixando a bola para a realidade, eu resolvi fazer algumas perguntas pertinentes para um especialista em adolescência, o terapeuta e conselheiro escolar, Zachary Gordon.

1 - Conversar com um adolescente pode ser um desafio. Qual é a melhor abordagem para saber o que está acontecendo com eles?

Acho que muitas vezes é melhor abordar os adolescentes com um tom de curiosidade do que com um tom de desespero, exasperação ou necessidade. O tal "precisamos ter uma conversa” ou a tentativa de conversar quando estamos justamente esgotados emocionalmente podem deixar os adolescentes frustrados, pois eles vão achar que são a raiz da nossa frustração. Acho que abordá-los fazendo com que eles se sintam como se estivessem nos mostrando como é melhor nos conectarmos a eles, é um bom começo. É importante reconhecer que é difícil para um adolescente conversar com os pais. Muitas vezes a resistência ocorre porque eles sabem que a conversa pode exigir mais energia deles do que eles estão preparados para encarar. Permitir que eles ajudem a criar parâmetros e regras para o andamento da conversa também pode ser útil. Isso pode incluir concordar em não trazer à tona certos assuntos ou não fazer um drama ao receber respostas de seu filho adolescente que possam frustrá-lo ou aumentar ainda mais seu estresse. 


2 - Alguns pais acham melhor dar aos adolescentes mais espaço. Estão corretas as idéias sobre "eles precisam aprender com seus erros"?

Acredito que a resposta para isso depende de quão bem você conhece seu filho. E isto exige que os pais sejam honestos consigo mesmos sobre a capacidade individual de seus filhos adolescentes de aprenderem com os erros e evitar erros que possam afetar o resto de suas vidas. Por exemplo: se em família você acredita que a honestidade é mais importante do que seguir todas as regras à risca, dar um espaço maior de confiança ao adolescente pode funcionar desde que você acredite que seu filho será capaz de admitir possíveis erros. Ou seja, o tamanho da liberdade deve ser proporcional ao tanto que você acredita ser possível  que seu filho adolescente consiga lidar com as situações. A chave é: CONHEÇA O SEU ADOLESCENTE!


3 - Você poderia me dar algum exemplo de como os pais podem dar mais liberdade aos filhos, mas ao mesmo tempo estarem atentos?

Um exemplo é um acerto conjunto da família e do adolescente sobre o horário razoável dele estar em casa. Você pode conversar sobre quais são as suas expectativas e quais são as necessidades dele, deixando bem claro que vocês têm de se comunicar de forma honesta sobre o que você precisa e o que entende que ele precisa. Você pode discutir exceções apropriadas e assim criar expectativas diferentes quando as circunstâncias forem diferentes.  É preciso saber negociar com eles. Isso mostra ao seu filho que você está disposto a ser flexível e levar em consideração as necessidades dele. Este mesmo tipo de acordo pode servir para qualquer coisa com a qual eles gostariam de ter mais independência.


4 - Atualmente, temos mais adolescentes reclamando que querem mais "liberdade" ou adolescentes sem alguém para orientá-los?

 Acredito que há pais e famílias nos dois extremos desse espectro, e é difícil dizer qual prevalece hoje em dia. Eu acho que existem pais que acreditam que estão dando aos adolescentes oportunidades suficientes para serem independentes e aprenderem com seus erros, mas pecam quando “resgatam” seus filhos rápido demais das consequências naturais vindas com decisões erradas. Eles pecam porque não estão aproveitando a situação que poderia servir de aprendizado. Um exemplo disso pode ser um adolescente que pede a seus pais que não se preocupem com o dever de casa dele. Se esse adolescente receber esse espaço e falhar em concluir suas tarefas, terá uma nota ruim na escola. Os pais precisam se sentir confortáveis com esse tipo de consequência natural que ocorre para permitir que seus filhos aprendam com o erro. Aceitar que algumas consequências naturais são boas experiências para os adolescentes é um processo difícil para muitas famílias.


5 - Você tem algum conselho para os pais vencerem a batalha sobre os celulares dos filhos?

Meu primeiro conselho é lembrar que, como pais, você sempre tem o poder! Supondo que você comprou o telefone de seu filho e pagou por ele, sempre deve ser considerado um privilégio que ele tenha acesso a este aparelho. É importante ser razoável ao criar expectativas quanto ao uso do telefone, mas acredito que as conversas precisam ocorrer entre os adolescentes e seus pais antes que eles tenham acesso a um. Muitos adolescentes encaram o celular como um direito inerente e não como um privilégio que pode ser retirado. Não há mal nenhum que mães e pais possam visualizar o conteúdo do telefone deles a qualquer momento. A frequência com que escolhemos monitorar o que está no telefone dos adolescentes deve estar relacionada à tomada de decisões dos filhos. Se eles têm um padrão de tomar más decisões, os pais devem verificar com mais frequência. Se eles provarem ser responsáveis, os pais podem verificar com menos frequência.

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