Armar professor: uma ideia maluca importada dos Estados Unidos

Armar professor: uma ideia maluca importada dos Estados Unidos

Kleber Sales/ Correio Braziliense

Kleber Sales/Correio Braziliense

Os massacres em escola chegaram no Brasil. Importados dos Estados Unidos. Uma tragédia. Antes de mais nada escrevo neste post como mãe. Não sou de direita, nem esquerda. Não estou falando de política ou de políticos. Escrevo porque me preocupo com filhos, os estudantes nas escolas.

Depois da tristeza que aconteceu na escola em Suzano, São Paulo, com 10 mortos, apareceu uma “solução” para o problema de tiroteio nas escolas: armar os professores. Posts nas redes sociais sugerem isso e até um senador da República considerou viável. Mais uma ideia importada dos Estados Unidos: o presidente Donald Trump encorajou esta história logo após o massacre na escola de Parkland, na Flórida, em fevereiro de 2018, onde 17 pessoas foram mortas.

Adotar uma política para armar professores pode ser um campo minado. É o que diz um dos inúmeros artigos que discutem o assunto nos Estados Unidos. Entre as perguntas, quem defende armar os professores das escolas precisa responder: quem - exatamente - está autorizado a portar uma arma de fogo, onde as armas devem ser armazenadas e os funcionários armados devem receber algum tipo de bônus? E isso é apenas o começo.

Há também a questão espinhosa da responsabilidade: quem seria o responsável se algo desse errado? Muitas coisas podem dar errado, dizem os especialistas - mas nem precisa ser especialista para pensar sobre isso: um aluno pode encontrar ou roubar a arma de fogo de um professor, a arma pode disparar acidentalmente ou um professor pode atirar em alguém inocente, confundindo-o com o atirador. E armar professores poderia ficar caro. Aliás, quem ficaria bem satisfeita se o Estado gastasse verba com armas seria a indústria de armas.

Nos Estados Unidos, as principais organizações de professores, diretores, funcionários de escolas e de segurança escolar se opõem às armas nas escolas, exceto quando levadas por policiais ou agentes de segurança. Entre os educadores, a ideia é ainda menos popular, de acordo com pesquisas recentes. O Teach Plus, um instituto de valorização de professores, entrevistou 1.233 professores e quase 80% disseram que se opõem fortemente sobre armar professores na escola. Eu acredito que no Brasil, uma pesquisa assim teria o mesmo resultado. É o tal negócio: um professor se forma para ensinar, não para atirar.

Mas, infelizmente, essa história não está apenas no plano da discussão. Pelo menos 10 estados americanos têm regras que permitem que professores trabalhem armados. Ou seja, não é uma realidade distante. Que eu espero que definitivamente não chegue ao Brasil. 

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