Em que língua seus filhos sonham?

Em que língua seus filhos sonham?

Em que língua seus filhos sonham? Fiz esta pergunta para a minha filha de 8 anos. Tinha esta curiosidade. Ela nasceu no Brasil mas chegou nos Estados Unidos com 4 meses de idade. A resposta dela foi: “Eu sonho em inglês, mamãe, sempre.”


O português é a língua falada aqui em casa. Algo que não abro mão. Claro, existe a facilidade do pai também ser brasileiro. E ainda do meu filho mais velho, que morou seis anos no Brasil, também falar com bastante fluência o português. E junto a tudo isso, existe nela um enorme orgulho de ser brasileira (ela vive repetindo que vai morar no Brasil quando crescer).


O bilinguismo é uma questão que exige esforço dos pais. Já escrevi diversas vezes aqui no blog que a gente não pode desistir. Persistir para oferecer este presente de fazer um filho ser bilíngue é algo essencial pra mim.


Mas tem algo mais que venho aprendendo: a gente não pode “brigar” com a outra língua, que muito provavelmente é a primeira dos nossos filhos. Digo isso porque, por exemplo, quando a minha filha vem da escola ou da casa de uma amiga americana, ela está cheinha de inglês. Eu sinto que ela tem muita vontade de me contar uma coisa, mas a chavinha dela ainda não rodou para o português. E então ela se frustra um pouco porque sabe que entre a gente falamos só português. 


Aí, eu já aprendi a acalmá-la dizendo: ok, pode começar me explicando o que você quer em inglês, daqui a pouco você engrena a explicação no português. E tem dado certo: ela, que já tem o português bem consistente, não está abandonando a língua, está apenas usando a que está mais fácil na cabecinha dela naquele instante. 


Sobre isto, a gente tem aqui no blog um texto fantástico da professora Sílvia Melo-Pfeifer, especialista em Português Língua de Herança. Ela fala justamente isso: da nossa parte, pai e mãe, temos que continuar insistindo, mas a gente não precisa achar que a criança está perdendo uma língua se naquele momento usa um termo em outra língua. A criança faz isso porque usa o idioma que está mais a mão.


E sobre a história do sonho: não me surpreendeu da minha filha sonhar em inglês, o que prova que realmente é sua primeira língua. Mas não há problema de seguirmos preservando uma segunda e até terceira língua. Sendo que a segunda, o português, será pra sempre a que vem do coração da mamãe. E isso minha filha já entendeu. 

Fabiana Santos é jornalista, mãe de Felipe, de 14 anos, e de Alice, de 8 anos. Eles moram na região de Washington-DC. Fabiana também é consultora para mães nos Estados Unidos com atendimento feito por Skype. Se você quiser saber sobre as sessões entre em contato pelo nosso email: tudosobreminhamaeblog@gmail.com

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