Quando eu fiquei num mato sem cachorro pra explicar que focinho de porco não é tomada pra minha filha 

Quando eu fiquei num mato sem cachorro pra explicar que focinho de porco não é tomada pra minha filha 

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Esta história começa com uma cena que todo pai e mãe já passou. Você fala para sua criança fazer xixi antes de sair de casa, ela diz que não está com vontade. E obviamente, vocês chegam num lugar em que não há nenhum banheiro por perto, acontece o quê? Ela diz que está apertada pra fazer xixi! É tiro e queda. 


Diante dessa sinuca de bico, eu comecei a lamentar. “Minha filha, não tem jeito, como a gente vai fazer?”. Mas imediatamente eu avistei uma loja da Starbucks, onde há sempre banheiro disponível. E assim que o nosso problema foi resolvido, eu soltei pra minha filha: “Puxa, Alice, esse banheiro da Starbucks foi a salvação da lavoura!”. Mas pra quê eu fui dizer isto? Que ideia de jerico!


Eu realmente arranjei sarna pra coçar: minha filha passou o resto do dia me questionando. Afinal, para uma brasileirinha que está crescendo nos Estados Unidos há muito o que perguntar: “O que é lavoura, mamãe?”, “Mas como assim salvação?” , “O que essa lavoura tem a ver com a Starbucks e com o meu xixi?”.... e assim foi a minha tarde, tentando explicar pra ela que focinho de porco não é tomada.


Ah ... essas expressões maravilhosas da nossa cultura popular que mesmo eu tendo saído do Brasil não saem de mim nem que a vaca tussa… (risos).


Eu vivo usando expressões que eu tenho que encontrar uma explicação plausível para os meus filhos. E a gente sabe que muitas delas não tem pé nem cabeça. Claro que, na maioria das vezes, quem não tem cão caça com gato e eu recorro ao Google quando estou num mato sem cachorro para conseguir me explicar.


No frigir dos ovos, eu adoro poder incorporar no vocabulário dos meus filhos o nosso jeito tão peculiar de falar. São coisas que eles vão lembrar pra sempre: as minhas expressões idiomáticas do coração. Eu puxo mesmo a brasa para a minha sardinha.

Fabiana Santos é jornalista, de Brasília, mãe de Felipe, de 14 anos, e de Alice, de 8 anos. Eles moram em Washington-DC. Ela cresceu com a avó paterna tendo uma expressão muito interessante para aquele tipo de pessoa ou situação que dá muita canseira encarar : “Me dá éter!”, era o que sua avó dizia e ela hoje repete.

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