As celebrações nas escolas públicas norte-americanas: haja criatividade!

As celebrações nas escolas públicas norte-americanas: haja criatividade!

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Escola pública nos Estados Unidos não tem uniforme. Muita gente sabe disso. E eu confesso que eu preferiria mil vezes que meus filhos já tivessem uma roupa padrão para colocar de manhã cedo: rápido e prático. Mas esta não é a minha realidade.

Aliada ao fato de não existir uniforme, existe uma “tradição” nas escolas: “as semanas de celebrar-alguma-coisa”. O que basicamente consiste em inventar uma roupa diferente por dia para usar na escola por algum motivo determinado. 

Foi o que aconteceu nesta segunda-feira. O detalhe é que eu não tinha visto o aviso na mochila da minha filha, de 8 anos. E eis que esta cena aconteceu minutos antes da gente entrar no carro para ir pra escola e eu descobrir o “Celebrating Summer Spirit Week” (“Celebrando a semana do espírito do verão”):

(Eu) Filha… ichiii… só vi agora. Hoje você tinha que ir vestida com algo que você quer ser quando crescer.

(Ela) Mas mamãe! Como é que eu vou chegar na escola com uma camiseta de Mermaid (sereia)?! (era o desenho que tinha na camiseta que ela estava). Desde quando eu quero ser uma Mermaid quando crescer?

(Eu) Calma, Alice. Explica apenas que você “quer ser feliz”, ter uma profissão “criativa” e tudo bem.

(Ela) Não, mamãe. Você sabe que não é assim.

(Eu) Ok, mas o que você quer ser quando crescer? (Nessa idade, cada hora ela fala que quer ser uma coisa e estávamos em cima da hora pra sair de casa)

(Ela) Eu não sei ainda… talvez “counselor” (“orientadora educacional”, sendo a primeira vez que ouvi isso dela)

(Eu) Ah… ok. Como a Mrs. Kotok? (que trabalha na escola dela)

(Ela) Sim.

(Eu) Então, resolvido. A Mrs. Kotok veste roupa normal, como eu e você. Vai assim mesmo.

Claro que ela foi emburrada pra escola e eu me sentindo a “mãe mais sem originalidade” que não conseguiu arranjar uma profissão pra filha na hora de sair pra escola. O pai, que não estava em casa, disse depois que eu poderia ter arranjado uma camiseta de bichinho, já que ela disse uma vez que gostaria de ser veterinária. Não me ocorreu essa ideia. Nem uma outra que eu fiquei remoendo depois: eu poderia ter colocado nela um blazer meu para ela parecer uma “mini-adulta orientadora de escola”. Sinceramente, estas ideias de jerico são apenas para as mães ficarem bem culpadas quando não atingem a missão.

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Na semana passada, por conta de uma outra celebração (apenas da turma dela) era preciso se vestir de forma “wacky” (maluca)… e lá fomos nós arranjar um figurino. Ela quis usar um tênis cada pé de uma cor e penteado maluco (vide foto), ok. Eu sugeri meias com desenhos de Natal. Ela não achou graça e eu: “Ué, tem coisa mais maluca do que usar meia de Natal na Primavera? Vai por mim que tá ok”.

Tem ainda um dia no ano que eles pedem para os alunos usarem a camisa do time favorito e um dia para a camisa do “College” favorito dos pais. Mas este último a minha filha já entendeu ser impossível “cumprir” já que nem eu, nem o pai fizemos universidade nos Estados Unidos (uma pena, mas eu não tenho guardada nenhuma camiseta da Universidade de Brasília). 

Pode ser algo bem divertido para as crianças. E logicamente tem todo um contexto pedagógico de desenvolver nas crianças a questão da coletividade, do espírito esportivo, diversidade, simpatia, sei lá mais o que… Mas eu fico sinceramente pensando que não é possível que quem organize essas ideias da “semana fantasiada” não imagine a canseira que dá para os pais em casa cumprirem a demanda. E nem adianta dizer que “tudo bem se não for fantasiado”. No caso da minha filha, ela faz uma enorme questão de participar das atividades da escola.

Pelo menos amanhã eu estarei a salvo: a missão é mandar as crianças de pijama para a escola (“Pajama Day!). Essa é fácil pois basta não trocar de roupa ao acordar … risos.


Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Alice, de 8 anos, e de Felipe, de 14 anos. Eles moram na região de Washington-DC. Daqui a pouco, em outubro, vem a festa do Halloween. Quando alguns pais quebram a cabeça para fazer por conta própria fantasias bem originais para os filhos. No ano passado, Alice usou uma fantasia linda de Vampirina que foi da filha de uma amiga (santa amiga).


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