Precisamos falar sobre vasectomia: por que só a mulher tem que se responsabilizar para evitar filhos?

Precisamos falar sobre vasectomia: por que só a mulher tem que se responsabilizar para evitar filhos?

O apresentador do programa “United Shades of America” durante sua cirurgia de vasectomia

O apresentador do programa “United Shades of America” durante sua cirurgia de vasectomia

A ideia deste texto surgiu quando eu assisti recentemente um programa na CNN que eu adoro: “United Shades of America”, apresentado pelo jornalista, humorista, ativista político, ganhador de dois Emmys: W. Kamau Bell. Um dos episódios mais fantásticos do trabalho dele foi entrevistar sem nenhuma cerimônia os líderes da Ku Klux Kan, movimento que faz parte da “Supremacia Branca” nos Estados Unidos. Ele, sendo negro, fez um trabalho incrível. 


Mas meu assunto aqui é vasectomia. Kamau fez questão de filmar a cirurgia pela qual ele mesmo passou e o episódio levou o nome: “Vasectomia é uma decisão pessoal. Por isso eu decidi tornar pública a minha”.


Piadas à parte, o programa foi genial para sacudir a cabeça dos homens e perguntar: Por que não? Por que só a mulher tem que se responsabilizar para evitar filhos? Afinal, tomar pílulas, usar DIU… os métodos anti-contraceptivos para mulheres podem ser eficientes e cada vez mais aperfeiçoados, mas ainda trazem consequências para a nossa saúde.

O que acontece na cirurgia é a interrupção da passagem dos espermatozóides do saco escrotal para o líquido ejaculado. Claro, é uma decisão definitiva e como tal é preciso ter certeza. Mas a vasectomia não afeta a vida sexual de nenhum homem. Como muitos ignorantemente pensam. Como o médico de Kamau bem explicou no vídeo que ele gravou: é um procedimento que leva dez minutos, com anestesia local.

“Definitivamente o meu tratamento de canal foi um milhão de vezes pior do que isso”, disse o jornalista que saiu do hospital andando logo depois de operado. Nenhum homem precisa ficar internado depois. Bem diferente em termos de recuperação do que uma laqueadura (ligadura de trompas) ou histerectomia (retirada do útero) feita pelas mulheres. 

No vídeo de Kamau, ele entrevista na rua um rapaz de uns 25 anos que foi :”fruto de uma vasectomia”. De fato, o médico explica que isso não é impossível de acontecer, mas é raro. Aliás, raros mas possíveis também os casos de mulheres que usam, por exemplo, DIU e engravidaram. Eu conheço uma.


Obviamente esta é uma decisão extremamente pessoal. Kamau é casado, tem 3 filhas. Ele e a mulher já estavam bem satisfeitos com o tamanho da família. Como frisou uma amiga do jornalista durante o programa: “Mesmo se ele não achar que é feminista, ele é”. Porque para além de ser uma vontade pessoal dele não ter mais filhos, ele também se preocupou com o bem estar e a saúde da esposa. Ele quis fazer isso pela família dele. Ele tomou as rédeas do que sempre, desde que a gente fica menstruada, cai sobre nós mulheres como responsabilidade. Ele foi, eu poderia dizer, mais macho que muito homem.

Para quem se interessar em assistir a reportagem completa de W. Kamau Bell é só clicar aqui.

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