E esse ano, vai ter verão?

E esse ano, vai ter verão?

Depois de uma páscoa abençoada por dias ensolarados e temperaturas em torno dos 25 graus, estamos aqui em Colônia e em boa parte da Alemanha vivendo semanas intermináveis de cinza, chuva, vento e frio. Em pleno maio, minha gente. Nestas horas nossos olhares começam a buscar os olhares dos nosso entes queridos, em um misto de dúvida, incredulidade e desespero, e a pergunta que não quer calar é: e esse ano vai ter verão?

Se você mora na Alemanha, você sabe do que eu estou falando. A cronologia da coisa é mais ou menos assim: você passa 6-8 meses debaixo de um frio do cão, mas faz o melhor que pode da situação, afinal você mora na Alemanha há anos, você é praticamente europeia e é assim que a banda toca. Então você curte um outono, que é uma estação linda mesmo aqui na Europa, curte um Natal na neve, que vamos combinar faz muito mais sentido do que o Natal 40 graus do Brasil… Encara um réveillon sem pular ondas, nem vestir branco. Mas arruma uns programinhas de inverno delícia. Vai esquiar, se é o seu caso. Patinar no gelo, se é o meu. Mas aí lá para no máximo fevereiro a sua paciência começa acabar, e tudo que você quer é que pelo amor de Deus acabe o inverno e comece a temporada primavera-verão.

Mas existem anos que simplesmente não há verão. Ou que o verão se resumiu a umas duas semanas de sol em julho. E você fica lá, olhando para as sandalinhas, para os vestidinhos floridos e vendo navios.  Quando você se dá por si, o “verão” acabou e as folhas na árvores já estão começando a ficar amarelas de novo. E aí, me conta? Como seguir a vida?

Existem pessoas que se acostumam melhor com o frio e a falta de Sol, e pessoas que sofrem mais. Eu sou das que sofrem mais. Nunca me esqueço quando fui visitar uma amigona brasileira na Suécia, era verão, tudo lindo, os suecos todos naquele “mood” escandinavo somos mega felizes. Nós estávamos convidados para uma festa na beira da praia que tinha como apoio a casinha de pescador do pai de um amigo da minha amiga. Era literalmente a coisa mais fofa do mundo. E fazia, sei lá… 16 graus em pleno verão. Um problema muito maior para mim, do que para os suecos. Que estavam lá curtindo a festa numa boa. Eita resiliência polar dessa galera. Um convidado na festa me contou uma piadinha que nunca esqueci e que às vezes repito no contexto germânico: “O verão é o dia mais legal do ano” Hahahaha! A piadinha é engraçada, mas sabe o que é viver sem Sol, meu amigo?

Se vocês me permitem reclamar mais um pouquinho, eu ainda incluiria aqui na minha conta com a Alemanha, a saudade do mar. Nasci, cresci e vivi perto do mar pelos primeiros 30 anos da minha vida. Sou do Rio de Janeiro e mesmo quando me mudei para São Paulo o mar nunca deixou de ser constante na minha vida. Depois de 14 anos de Alemanha, ainda não me acostumei com a ideia de viver longe do mar. Quando fujo daqui e chego em uma cidade com mar, tenho a sensação de que tudo dentro de mim entrou no lugar. É como se desse para matar a sede com a água salgada.

Bom, sem saber direito como concluir este texto, agradeço a atenção para o meu breve desabafo e confesso que a única coisa que eu espero da vida para as próximas semanas é que haja verão. Torçam por mim. Não sei se eu estou realmente forte emocionalmente para segurar 2019 sem verão.

Beijo, Alemanha! Te amo mesmo assim. Afinal, quem é perfeito?

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