Meu objetivo de mãe: criar um adolescente útil

Meu objetivo de mãe: criar um adolescente útil

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Se você tem um filho adolescente como eu, pode ser que você também tenha a minha mesma preocupação: fazer do seu filho uma pessoa útil, comprometida com o mundo desde sempre. Explicando melhor: não dá pra comprar a ideia de que essa geração vai crescer “abduzida” pela internet, seus aplicativos, seus youtubers e joguinhos. Claro que é impossível ir contra tudo isso, é como nadar contra a maré, mas eu sou otimista que dá pra agregar uma vida mais produtiva. 

Eu já escrevi sobre isto no blog, mas não vou cansar de insistir. Principalmente se o seu filho, como o meu, tem uma vida em que nada lhe falta. Não podemos criar filhos egoístas e inconscientes. Eu estava conversando com uma amiga e ela anda preocupada com o filho, muito cheio de ideias de “menino riquinho” e com zero noção de que ao invés de exigir isso ou aquilo dos pais, ele tem é que ser grato por ter mais do que muito menino na idade dele. 

Nesse ponto eu preciso compartilhar para quem não sabe, o que acontece aqui nos Estados Unidos para quem está no ensino médio público (a partir do sexto ano). Para receberem o diploma no final da High School no estado de Maryland e estarem aptos para qualquer universidade, todos os alunos precisam cumprir um total de 75 horas de voluntariado.

É o famoso “SSL (Student Service Learning) hours”. Aliás, um belo exemplo a ser seguido no Brasil, ao invés de tantos hábitos americanos copiados sem utilidade. Ninguém pode trabalhar voluntariamente mais do que 8 horas por dia e geralmente esses trabalhos são feitos durante as férias de verão, que são as mais longas. A maioria dos adolescentes cumpre bem mais do que as 75 horas e até recebem certificados de “boa conduta” pelo acúmulo de horas extras. Vale ajudar em asilo, plantar árvores, ser guarda-vidas em piscinas, a lista de opções é enorme.

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Meu filho já trabalhou como voluntário no ano passado cuidando de crianças da pré-escola. Neste verão por aqui, ele está trabalhando duas vezes por semana num organização não-governamental incrível chamada Nourish Now

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A instituição recebe e também recolhe alimentos doados pelos principais supermercados da cidade (são toneladas de alimento por mês) e o trabalho dos adolescentes voluntários é repartir em caixas os alimentos que são doados para 700 famílias cadastradas. Sim, são famílias carentes na região de Washington-DC. 

A responsável pelos voluntariado, Sarah Ramsay, me explica que nenhum documento é exigido para cadastrar as famílias. Quem chega lá é porque precisa e ninguém discute. O trabalho do meu filho e de outros tantos adolescentes, além de separar a comida, é também entregar as caixas para as famílias. 

No primeiro dia de trabalho, eis os comentários do meu filho: “Mãe, eu entreguei uma caixa para uma família de 7 filhos e eles foram felizes carregando a caixa pois não têm carro”; “Teve uma mãe que estava tão satisfeita porque os filhos vão poder comer batata frita”. Parace besteira mas não é. Pra mim vale muito. Quem tem filho adolescente sabe que a gente percebe o que eles pensam nos detalhes. Meu filho longe da tela do celular, está descobrindo como é o mundo de verdade e como a gente pode fazer dele um lugar melhor. 


Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 14 anos, e de Alice, de 8 anos. Eles moram na região de DC. há 8 anos. Ela também é consultora para mães fora do Brasil e faz atendimento agendado por Skype.

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