Ter um só sobrenome facilita a vida nos Estados Unidos

Ter um só sobrenome facilita a vida nos Estados Unidos

Eu tenho 3 sobrenomes. Um da minha mãe e dois do meu pai. Eu jamais poderia imaginar que ter mais de um sobrenome morando nos Estados Unidos poderia me dar tanta dor de cabeça. 

O registro de documentos por aqui não comporta tantas palavras, considerando que os meus sobrenomes ainda carregam a preposição “de” e a conjunção “e”. No final das contas é como se eu tivesse 5 palavras depois do meu “first name”. Uma chatice na hora de preencher q-u-a-l- q-u-e-r formulário. Nunca há espaço suficiente para todas as palavras. 

Pra se ter uma ideia, quando eu fui tirar o meu Social Security Number (SSN), um documento fundamental por aqui, a mulher do guichê simplesmente ignorou o meu último sobrenome (Silva) e deixou o documento terminando com a nossa conjunção “e” em maiúscula. A minha carteira de motorista também foi esculhambada. A atendente registrou só o S de Silva como último sobrenome, sem completar a palavra. 

Ou seja, o único documento em que meu nome está correto é o passaporte brasileiro. O que também já me gerou confusão na hora de compará-lo com todos os outros documentos daqui onde o meu sobrenome está incompleto.

Uma amiga recentemente renovou a carteira de motorista e pelo nome completo dela também ser extenso, eles simplesmente definiram, sem questioná-la, resumir o primeiro nome dela com apenas a primeira letra. Ou seja, o primeiro nome dela ao invés de Alessandra, virou A.

A lógica norte-americana é a criança carregar um só sobrenome, geralmente do pai. Meus filhos têm dois sobrenomes, menos confusa a situação deles do que a minha. Mas ainda assim seria bem mais fácil se só tivessem um. E é apenas por um que eles são identificados na escola. 

Eu sei que obviamente pra muita gente é importante deixar o sobrenome para a posteridade, para que os filhos levem a família toda escrita pela vida afora. Mas, sinceramente, do que adianta ter um nome comprido e ele não ser considerado? Saírem retalhando os sobrenomes à sua revelia? Se eu pudesse aconselhar qualquer grávida que está para ter filho nos Estados Unidos, eu diria: facilite a vida dele, por favor, e registre UM só sobrenome. ;)

Fabiana Santos de Oliveira e Silva é jornalista, mora na região de Washington-DC e é mãe de Felipe, de 14 anos, e de Alice, de 8. Se ela se chamasse Maria Fabiana, ou seja, tivesse um nome duplo, não haveria problema já que o segundo nome vai no espaço que eles chamam de “middle name”.


Como é ser filha de Vinicius de Moraes

Como é ser filha de Vinicius de Moraes

Porque tratar seu parceiro como bebê pode atrapalhar seu relacionamento

Porque tratar seu parceiro como bebê pode atrapalhar seu relacionamento