Letra cursiva ou letra "de imprensa"?

Letra cursiva ou letra "de imprensa"?


Eu me peguei pensando nisso esses dias: papel e lápis para o dever de casa estão com os dias contados? Meu filho está numa “high school” aqui nos Estados Unidos. É o primeiro ano. Eu posso dizer que 90% dos deveres dele, ele responde online. A primeira redação do ano letivo (que começou há duas semanas) foi teclada no computador e enviada para o email do professor.

Pois diante desta realidade cada vez mais constante, descobri esta semana durante a reunião na escola pública de ensino elementar da minha filha (ela está no terceiro ano) que o distrito escolar que a gente mora decidiu excluir do currículo o ensino da letra cursiva (que muita gente chama de letra manuscrita). Aqui, as crianças são alfabetizadas usando a letra “de imprensa", chamada de “print”. A explicação da direção da escola da minha filha foi de que existem outras disciplinas mais importantes no currículo escolar para serem exploradas do que a caligrafia. Ou seja, a conclusão é de que ensinar letra cursiva, além da letra “de imprensa”, é perda de tempo. 

Eu, que aprendi desde sempre no Brasil a escrever com letra cursiva, fiquei um pouco decepcionada com esta decisão. E na minha cabeça eu sempre achei que, no Brasil, escrever em letra cursiva fosse uma obrigação para candidatos a Enem, vestibular ou concurso público. Mas eu descobri que apesar da letra cursiva ser ensinada no Brasil, ela não é obrigatória na hora de um teste. O que é obrigatório é o candidato ter uma letra legível, diferenciando o que seja maiúscula de minúscula.

Eu também pesquisei na internet o que pensam educadores renomados sobre os dois tipos de letra. Não existe uma conclusão de qual seja a melhor letra. Aliás, em alguns distritos escolares aqui mesmo nos Estados Unidos, eles decidiram justamente o oposto da escola da minha filha: que a criança deve sim aprender a letra cursiva.

No final das contas, seja qual for o estilo, o importante é que as nossas crianças continuem sabendo usar lápis ou caneta para escrever. Eu acho que é algo que a gente não pode perder, mas que vem perdendo. Afinal, será que sou só eu que escrevo de novo um bilhete para o meu filho quando quero deixar um bilhete “escrito” ao invés de mandar uma mensagem pelo celular? Só eu fico achando a letra terrível e me esforçando para escrever melhor de novo?  

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 14 anos, e de Alice, de 8. Eles moram na região de Washington-DC. Ela incentiva a filha menor a escrever cartinhas para a família no Brasil e cartões de agradecimento aos convidados de aniversário.

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