É cafona rasgar dinheiro em festa de filho

É cafona rasgar dinheiro em festa de filho

Alguém vai me criticar e dizer que quem tem muito dinheiro faz dele o que bem entender e eu não tenho nada com isso. Mas num país com tanta desigualdade social como o Brasil eu dou a minha cara a tapa para fazer uma reflexão.


Milionários rasgando dinheiro em festinhas de aniversário não são uma novidade no Brasil. Mas cada vez que vira notícia, eu fico um tanto quanto descrente da humanidade. Recentemente a família do dono de um banco brasileiro fez a festa de aniversário para o neto de 13 anos e contratou um show da cantora Anitta. A história é que só o cachê da cantora foi de 800 mil reais e a festa toda custou 3 milhões de reais.

Eu nem vou tão longe. Uma conhecida decidiu que a festa da filha de 10 anos precisava ser “inesquecível” e resolveu contratar uma limousine para buscar as convidadas em casa. E as festas de 15 anos, então? Literalmente, o céu é o limite: vi um vídeo em que a aniversariante praticamente aterrissava num palco, num espetáculo digno de Cirque du Soleil. Festa com passagem e estadia paga nos parques da Disney para todos os convidados, eu também já vi. Aliás, com parâmetros em ordem crescente desse jeito, vai sobrar o quê? Excursão com os amiguinhos para apagar as velinhas em outro planeta?

Eu não consigo admirar essas coisas. Não consigo imaginar que uma criança criada assim possa dar qualquer valor a dinheiro ou entender que existe gente que realmente morre de fome no mundo. A discrepância é muito grande. O mundo real fica bem distante. É cafona, pra dizer o mínimo.


Ia ser tão bacana se alguém inventasse uma nova “tendência”. Famílias que fazem questão de gastar dinheiro com essas celebrações mas que fossem então passar o dia com seus filhos aniversariantes: construindo casas, reformando hospitais, aparelhando instituições de caridade, ajudando vítimas de catástrofes. Imagina? Ia ser incrível uma certa competição de quem faz a maior doação. Quem sabe ainda apareçam empresas de eventos - as mesmas que produzem estas festas mirabolantes - que resolvam oferecer “pacotes de fazer o bem”? Porque, afinal, generosidade e altruísmo nunca deveriam sair de moda. 

 

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